VENIENT CUM EXSULTATIONE, + TEMPUS POST PENTECOSTEN + PORTANTES MANIPULOS SUOS.

Santo Padre

Como viver sem Vós? Pois só Vós sois capaz de conhecer os foros mais íntimos de minha alma que são desconhecidos e incompreendidos pelos que me circundam. Só Vós conheceis a minha fé que não deve ser levada a nada menos que ao sangue derramado se necessário for, a renunciar as mais belas criaturas por amor a Vós, divino Amor. Não posso, Cristo, aceitar as condições da falaciosa doutrina liberal, as quais não consigo me conformar sem antes renunciar a mim mesmo, e, portanto, Vos renunciar em nome da consciência individual e dos princípios criados por vãs filosofias, tortuosas concepções e pela separação da natureza do Criador, ou ainda, de uma humanidade que já não mais Vos conhece e a qual, pela graça, não aprendi me conformar; num mundo onde o homem moderno não mais se dobra, e onde eu, pobre, não estou preparado para ser homem segundo o direito sem Deus. Creio porque creio, e sempre hei de crer, porque só Vós sabeis que é Vossa Face que eu procuro. (O Ultrapapista Atanasiano)


Pater, si non potest hic calix transire nisi bibam illum, fiat voluntas Tua. (St. Mat. XXVI, 42)






Cabe à Igreja a Verdadeira Interpretação da Bíblia

domingo, 15 de novembro de 2009 |

No último dia 26 de outubro, o Papa Bento XVI proferiu um discurso à Comunidade do Pontifício Instituto Bíblico, por ocasião do centenário da fundação deste Instituto.

Durante o discurso o Papa ressaltou a doutrina de sempre da Igreja, que afirma ser a Igreja Católica a única capaz de interpretar autenticamente as Sagradas Escrituras. Com certeza estas palavras não agradam as mentes modernistas, que aderiu em quase tudo, senão em tudo, às heresias protestantes, entre elas a da livre interpretação da Bíblia. Eis as palavras do Santo Padre:

"Sendo a Escritura uma coisa só a partir do único povo de Deus, que foi o seu portador através da história, consequentemente ler a Escritura como uma unidade significa lê-la a partir da Igreja com a verdadeira chave de interpretação. Se a exegese quer ser também teologia, deve reconhecer que a fé da Igreja é aquela forma de "sim-patia" sem a qual a Bíblia permanece um livro selado: a Tradição não fecha o acesso à Escritura, mas antes abre-o; por outro lado, compete à Igreja, nos seus organismos institucionais, a palavra decisiva na interpretação da Escritura. De facto, está confiado à Igreja o ofício de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita e transmitida, exercendo a sua autoridade no nome de Jesus Cristo (cf. Dei Verbum, 10)."



# Carismáticos só podem tudo dentro do Carismatismo

sábado, 14 de novembro de 2009 |

O Papa Bento XVI tem dito, o Congresso sobre a Summorum Pontificum, onde estavam Sua Excia. Raymondo Burke e Sua Excia. Athanasius Schneider também disse; o Cardeal Cañizares disse, Mons. Guido Pozzo disse, Mons. Malcom Ranjith, é claro, disse; ou seja, os mais eminentes disseram que a Liturgia não é para se fazer o que quer, então, já que a RCC diz que é tão obediente, porque não obedece? Soberba é claro!

Até hoje me lembro quando os carismáticos da Canção Nova foram até a Basílica de Paulo Extra Muros, e tentaram dar seus saltos, e palmas, e danças, dentro da Basílica. Um participante do cerimonial episcopal foi até eles com o dedo em riste. O que ele disse eu não sei, só sei que depois todos eles ficaram feito, digamos, comportados como bons católicos.

Blog Adversus Haereses

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Não que seja da nossa conta, mas... Alguma boa alma, gentil e imparcial e não mexiriqueira poderia me informar o que ocorreu com o blog Adversus Haereses? Saiu do ar? Por favor, me informem via comentários.

Repito: Não que seja da nossa conta!

A Liturgia Deveria Refletir a Beleza de Deus

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Tradução e Adaptação: O Atanasiano
Fonte: Fraternidad de Cristo Sacerdote y Santa María Reina

por Mons. Walker Nickless

"Nossa liturgia deveria irradiar verdadeira beleza, refletindo a beleza de Deus e o que Ele faz por nós em Cristo Jesus. Deveria elevar a nossa alma - em primeiro lugar através do intelecto e da vontade, mas também através dos nossos sentidos e emoções - para adorar a Deus, já que estamos tomando parte no culto eterno do Céu. Neste vale de lágrimas, a Liturgia deve ser a estrela-guia, um lugar de maravilha e conforto no dia-a-dia de nossas vidas, um lugar de luz e elevada beleza, fora do alcance das sombras mundanas. Muitas pessoas entram em contato com a Igreja, e às vezes com a oração e com Deus, somente através da liturgia dominical. Acaso não deveríamos oferecer uma experiência de beleza e transcendência, convincentemente distinta de nossa vida cotidiana? Não deveria ser cada faceta de nossa oferta proporcionada à realidade divina?"

Triste Realidade

sexta-feira, 13 de novembro de 2009 |

Tirando Defunto da Cova. Lugo o Devorador!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009 |

O insuficientemente adjetivável Presidente Paraguaio, Fernando Lugo, devorador sexual e promíscuo sacerdote, ressuscita no Atanasiano. O que é feito dos carmelitas? Será que Santa Tereza e São João da Cruz ainda nos reconhecem como filhos? A notícia vem com atraso, é de Setembro de 2008.


O presidente eleito do Paraguai, em sua visita ao Equador, ganhou um presente que levou ao seu país. Trata-se da faixa presidencial, feita em seda e veludo, enfeitada com um brasão do Paraguai, feita à mão com fios de ouro, pelas nossas monjas equatorianas, da cidade de Guaranda, capital de Bolívar, onde ele exerceu o sacerdócio entre 1978 e 1981.

A faixa foi elaborada pela madre Graciela de Santa Teresinha que ressaltou que foi pega de surpresa com a visita de Lugo e que não teve tempo de terminar o trabalho como gostaria.

"Não sabíamos que ele viria", comentou madre Graciela à Agência EFE, depois de dizer que o presente estará pronto no final de julho para ser enviado ao Paraguai.

A madre ressaltou que a faixa não foi feita "só com tela e fios, mas com orações" (N. do Atanasiano: Queira Deus que tenha sido para que este homem se arrependa de seus sacrilégios e pecados). Segundo ela, uma delas estará escrita no presente, escondida atrás do brasão, que servirá para dar apoio espiritual ao líder paraguaio e pedir "que o Senhor o ilumine na hora de tomar de decisões".

Fernando Lugo agradeceu às freiras carmelitas a perseverança na confecção da faixa e lembrou que o Equador, e especialmente a província de Bolívar, têm um lugar especial em seu coração. O ex-bispo recebeu as chaves da cidade, entregue pela prefeitura, e o título de doutor honoris causa pela Universidade do Estado.

Ao receber a homenagem, Lugo lembrou como compartilhou os textos da Teologia da Libertação com jovens, camponeses e indígenas da serra andina equatoriana durante sua estadia no país.

Por isso, segundo Lugo, Guaranda e Bolívar formaram sua vida pastoral e sacerdotal ao lado dos pobres. Para ele, essa é "uma tarefa que nunca acaba".

Lugo disse ainda que em seu Governo a palavra política será escrita "com letras maiúsculas" e tentará enterrar a "indústria da política" tradicional, à qual chamou de "maneira fácil de fazer fortunas".

# Contradição Carismática

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Quando um católico tradicional faz pontuações sobre os desvios carismáticos, logo um deles diz: "quem é você para julgar e mudar a renovação?"; mas quando um carismático faz pontuações sobre aquilo que ele considera erro do tradicinalismo, ou mesmo quando um eminente padre carismático faz o mesmo, ele não diz de si para si: "quem sou eu para julgar e mudar a Tradição Católica?"



Trecho da Homilia de Mons. Athanasius Schneider

Maria é Mãe de Deus, tudo n'Ela deriva desse previlégio. Os restantes títulos de Maria são: Imaculada, Virgem, Rainha do Céu e da Terra, Medianeira, Advogada, Colaboradora na Obra Redentora... todos estes títulos não superam o de "Mãe de Deus" e Mãe da Humanidade Redenta e de cada pessoa humana. Quantas vezes Jesus pronunciou "Mãe" e mesmo na Cruz também Maria pode ajudar-nos porque é nossa Mãe e por isso não pode deixar de ajudar-nos.

No Hino do Akanisthós canta-se: "Maria Tu és Tabernáculo de Deus, és o Tesouro da Vida, és a Cura do meu corpo e a Salvação da minha alma". No meio da tremenda batalha espiritual na Igreja, ajuda-nos a oração, a fidelidade ao Papa e Maria, para que a nossa fé seja firme e forte. Que Maria nos ajude nesta batalha da fé.

A Crise na Igreja

Conferência de Mons. Athanasius Schneider

"A sacralidade e a beleza da Liturgia segundo os Santos Padres"


A Igreja hoje sofre uma profunda crise litúrgica. A Liturgia cristã tem o seu modelo no Céu. A consciência da profunda santidade de Deus leva-nos a fazer silêncio e a inclinações e genuflexões na Santa missa. No Apocalipse aparece a Liturgia celeste. Clemente I reflecte a liturgia de Roma, enquanto as Catequeses mistagógicas são o testemunho de Jerusalém.

Quando a Igreja adora a Majestade divina deve imitar os Anjos. Clemente I diz: "consideremos a multidão de Anjos que prestam culto à Majestade de Deus, tembém nós quando nos reunimos devemos clamar numa só voz", ou seja a Assembleia litúrgica deve imitar os Anjos na adoração de Deus.


O culto deve ser orientado só a Deus na obediência amorosa, com prostrar-se, cobrir-se e dar a Deus o primeiro lugar no nosso coração.


A Liturgia cristã deve ser estabelecida num Ordo. A consciência do carácter sacro da Liturgia foi transmitido por Moisés, Isaías e pela Carta aos Hebreus, e por isso Clemente I chama a Deus o Todo Santo. No relato do martírio de Santa Perpétua e Felecidade refere-se que entraram no Céu e ouviram o canto dos Anjos. No tratado de Tertuliano: "os Anjos que dizem Santo, Santo... então também nós devemos aprender dos Anjos e fazer o mesmo".


Na Anáfora de S. Tiago do sec. IV diz-se: "No Sanctus os fiéis entram em comunhão com os Anjos". Teologia é falar a Deus com louvor e adoração. Todos os actos de culto e gestos é para glorificar a Deus Uno e Trino. A Dossologia deve ser sempre Teologia. O culto externo deve exprimir a fé em Deus Trino e Uno. A Liturgia deve ser Teocêntrica já que a participação no Sanctus nos une aos Anjos.


Na Eucaristia cristã Cristo está presente e actualiza o seu Sacrifício no Calvário. Os Anjos cobrem a sua face quando proclamam a Santidade de Deus, com prostar as suas faces por terra, e a prostação ou o ajoelhar-se por terra ou a venia profunda reflectem isso; também as luvas que usa o Bispo ou o subdiácono que segura a pena coberta.


O celebrante deve velar-se a si próprio e desaparecer com humildade na presença de Deus na Missa onde o fiel deve ver Cristo e não o sacerdote.


S. João Crisóstomo nos seus sermões fala da presença dos Anjos na Liturgia os quais celebram alegremente a Liturgia. Nós fazemos parte dos Querubins e Serafins e cantamos juntos com os Serafins. Estende as asas da tua mente em volta do Trono de Deus.


A realidade mais sacra na terra é o Corpo e Sangue de Cristo e depois disto o Altar onde tal acontece. O Sacrifício de Cristo no altar é o sinal do seu amor por nós. Por isso a Missa é o lugar do Sacrifício que se torna visível por nós. Nenhum Anjo ousa tocar o Corpo de Cristo, por isso nenhum homem pode tocar no Corpo de Cristo, mesmo o Sacerdote para fazer tal se lhe consagram as mãos. Diante do Corpo de Cristo como sinal do amor de Deus devemos fazer um gesto de reverência e humildade antes de O receber.


Ser orientado interiormente para Deus, reconhecendo a sua Santidade e Amor e pedir-lhe a pureza interior: é daqui que surge o gesto exterior de ajoelhar-se, proteger o que é Santo com degraus, guardar o silêncio, e assim imitar os Anjos.


A característica é a adoração de Cristo na Missa, e isso é o verdadeiro culto, que se manifesta no exterior, nas inclinações e ajoelhar-se. A
Sacrosantum Concilio n. 2 diz: "a Liturgia por meio da qual se actualiza a obra da nossa redenção..." São Pedro Edmard afirma: "a Igreja dedica a Cristo uma Liturgia solene. Prostra-se diante do Santíssimo Sacramento como os Anjos".

As seguintes imagens são da Missa Tridentina da Associação Santo Tomás Morus que se celebrou na Festa de São Miguel Arcanjo. Riquíssimos paramentos e riquíssimo barrete, além do belo cerimonial dos coroinhas. Todos os direitos são da Associação Santo Tomás Morus.











Itália Ensina aos Imbecis do Tribunal de Estrasburgo o Valor do Catolicismo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009 |


Responsório de Leão XIII:

V. Eis a Cruz do Senhor, fugi potências inimigas!;
R. Venceu o Leão da tribo de Judá, o descendente de David.

V. Que a Tua misericórdia, Senhor, seja sobre nós!
R. Como nós esperamos em Ti.

(Frates in Unum) “Oh, bella Italia! A Itália mostra aos imbecis europeus com quantos paus se faz uma canoa” – esclareceu o BLOG ‘Fakten Fiktionen’ na quinta-feira:

“Esta é a resposta ao Juiz turco de Estrasburgo!”O Blog narra os fatos: “O prefeito de San Remo, Maurizio Zoccarato, está colocando uma cruz de dois metros no prédio da prefeitura!”

A cidade de San Remo encontra-se no extremo noroeste da Itália.

Ao mesmo tempo Zoccarato exigiu que todos os diretores de escolas afixem cruzes nas salas de aula.

Segundo o blog ‘Fakten Fiktionen’, em toda a Itália inicia-se uma competição para mostrar isso aos juízes de Estrasburgo”.

Na cidade de Busto Arsizio, perto de Milão, a administração municipal hasteou as bandeiras da União Européia em frente aos prédios oficiais a meio mastro.

Um enorme crucifixo está resplandecendo há pouco tempo diante da façada do Teatro Bellini de Catania, na Cicília.

Inúmeras comunidades italianas encomendaram novas cruzes para as suas escolas.

A cidade Sassuolo na província de Modena no norte da Itália encomendou cinqüenta novos crucifixos. Eles deverão ser pendurados em todas as salas de aula em que ainda não houver algum.

O Ministro da Defesa Ignazio La Russa abordou o tema da defesa nacional espiritual em uma discussão de TV: “Todas as cruzes devem permanecer penduradas, e os opositores da cruz que morram, juntamente com essas instituições aparentemente internacionais!”

A comunidade Montegrotto Terme com 10.000 habitantes – onze quilômetros a sudoeste de Pádua – anuncia em placas de néon: “Noi non lo togliamo” – Não vamos ceder.

O prefeito da cidade de Treviso no noroeste da Itália resumiu a situação muito bem: “Encontramo-nos no reino da demência, essa é uma decisão, que clama por vingança. O tribunal deve processar a si mesmo pelo crime que cometeu!”

O prefeito de Assis sugeriu que além dos crucifixos fossem colocados também presépios nas salas de aula.

O prefeito da cidade de Trieste esclareceu que tudo permaneceria do jeito que está.

A Câmara de Comércio romana pediu que as lojas pendurassem crucifixos.

Na comunidade Abano Terme – onde mora a ateísta militante finlandesa que reclamou do crucifixo – haverá protestos amanhã em frente das escolas a favor da Cruz de Cristo.

O prefeito de Galzignano Terme na província de Pádua, Riccardo Roman, ordenou colocação imediata de cruzes em todos os edifícios públicos – não somente escolas, mas também na Prefeitura e museus.

Dentro de duas semanas a polícia irá conferir se a ordem foi obedecida, caso contrário haverá uma multa de 500 Euros.

O autor de ‘Fakten Fiktionen’ está maravilhado: “Bravo! Vou descansar alguns dias lá no ano que vem! Deve valer à pena!”

O Prefeito Maurizio Bizzarri da comunidade de Scarlino na Toscana do sul impôs uma multa de 500 Euros para aqueles que retirarem uma cruz dos prédios públicos.

Na cidade Trapani no extremo oeste da Cecília o Presidente e o assessor do governo da província encomendaram 72 cruzes com recursos próprios.

Na cidade de Neapel apareceu uma pixação que dizia: “Se arrancar a cruz, eu arranco a tua mão fora!”

‘Fakten Fiktionen’ se dá por vencido: “Lamento, preciso parar, mas parece que não existe nenhuma cidade sem resistência.”



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Missa Réquiem para o Venerável Pio XII

sexta-feira, 6 de novembro de 2009 |

por Carlos Eduardo Maculan
Traduzido e Adaptado do original "A Catholic Life"


Quando o Papa João Paulo II faleceu, infelizmente, em pouquíssimos lugares no mundo foi celebrada missa em sua memória. Lembremos que, quando o Papa Paulo VI modificou o Rito do Funeral do Papa, ele removeu quase todos os elementos importantes da cerimônia. As vestimentas vermelhas substituíram as vestimentas negras - o negro é uma mensagem litúrgica de luto e não uma sinal de pré-canonização como pode se presumir do vermelho -, não se usando mais, inclusive o Catafalco, que é onde se assenta o caixão ou que substitui a presença do corpo do defunto. Em bom e solene italiano, Catafalco é o local onde se deposita um caixão, ou que, na liturgia, faz as vezes desse caixão.

Quando o Venerável Papa Pio XII faleceu em 1958, em todos os lugares do mundo foram oferecidas Missas Réquiem Solenes em sua memória. Nas Catedrais, nas Abadias, Paróquias e Capelas, todas elas em perfeita consonância a Sagrada Liturgia Romana.


(Fotos da Missa Réquiem pela Alma do Venerável Pio XII na Catedral de São Patrício. Na segunda foto, ao centro, vemos o Catafalco)

O ressurgimento do uso do Catafalco se dá com o advento da Summorum Pontificum e é claro, do uso tradiconal das vestes litúrgicas. Ressurge também, a celebração da Missa Réquiem pelos Papas já falecidos, com as vestimentas negras e toda a solenidade do Rito Tridentino. Abaixo, podemos ver, portanto, Missa Réquiem em memória do Papa Adriano IV (falecido no século XII), celebrada em pleno século XXI na Abadia de Dorchester na Inglaterra.


Uma vez que este hábito é mais do que salutar e que Bento XVI permitiu - pela graça de Deus - que novamente os esplendorosos paramentos tridentinos, com suas cores próprias, voltassem ao seio da Igreja, que tal nossos leitores adeptos da Missa Tridentina, possam sugerir para seus padres que se celebre em 2010 as seguintes sugestões de Missa Réquiem:

6 de fevereiro - 270 anos da morte de Clemente XII
21 de Fevereiro - 280 anos da morte de Bento XIII (Domingo)
27 de setembro - 310 anos da morte de Inocêncio XII
27 de setembro - 420 anos da morte de Urbano VII

Rezemos pelas Missas Tridentinas Réquiens, para que as almas do purgatório sejam soltas da agonia e gozem plenamente da Visão Beatífica do Pai. A Santa Liturgia Tridentina é meio eficiente para que as almas padecentes se beneficiem dos méritos infinitos da Santa Missa que as libertam das penas purgatoriais.

Se nossa sugestão for aceita, o Atanasiano gostaria muitíssimo de publicar as fotos deste soleníssimo momento marcante da identidade católica.



Associação Santa Catarina de Siena - Missa Tridentina em Blumenau.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009 |

Não nos foi pedido para ajudar na campanha, mas via Fratres In Unum vi que o editores da Associação Santa Catarina de Siena, gentilmente, têm o Atanasiano entre seus prediletos. Querendo, pois, os editores retribuir tamanha bondade e sabendo que temos centenas de leitores no Sul da Terra de Vera Cruz, é que aderimos na divulgação.


Pedimos a outros blogs que defendem a plena liberdade da Missa Tridentina que divulguem, por todos os meios, a Campanha de nossos irmãos sulistas em benefício da Missa Tridentina em Blumenau.

Quero aproveitar para parabenizar os editores da Associação pelo belíssimo layout.


Nossos irmãos da Juventutem Argentina disponibilizaram mais imagens da primeira Missa Tridentina na Basílica de São Pedro depois de 40 anos. Mons. Raymond Burke organizou um belíssimo ritual. As fotos falam por si, e estão por novos ângulos, o que nos dá a dimensão e magnitude dos número de sacerdotes, religiosos e fiéis. Gostaria que meus leitores atentassem para a foto da elevação. Magnifíco!











(Infelizmente os Padres e Bispos que usam do Rito Novo deixaram de lado este belíssimo momento da Elevação. Nada é mais belo que este sublime momento, que comovia santos do gabarito de Padre Pio e do qual muitos pagãos tremiam de pavor diante da magnitude)



(A Mesa da Comunhão e a Comunhão de Joelhos ao chão, numa demonstração inequívoca de devoção e adoração.)

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O Patrimônio Litúrgico da Igreja é o seu mais precioso depósito, de forma que os fiéis terão ou não terão fé na medida que a liturgia é ou não é bem celebrada.


Missa Tridentina I

quarta-feira, 4 de novembro de 2009 |

O Atanasiano Ultrapapista

apresenta:

Missa Tridentina I
- O Rito dos Santos -



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O Atanasiano procurará, por todos os meios ao seu alcance, a promoção do Rito Tridentino pelo mundo. Sempre buscaremos aperfeiçoar as formas de levar aos nossos leitores a beleza do rito que expressa perfeitamente a identidade católica.




Reação da Conferência Episcopal Italiana

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 3 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Com amargura e sobretudo com perplexidade, a Conferência Episcopal Italiana (CEI) recebeu a sentença do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, com a qual se condenou hoje este país por colocar crucifixos nas escolas.

Um comunicado de imprensa, emitido pela Sala para as Comunicações Sociais da CEI, baseando-se em uma primeira leitura da sentença, considera que nela “se impôs uma visão parcial e ideológica”.

O caso havia sido apresentado ao Tribunal de Estrasburgo por Soile Lautsi, cidadã italiana de origem finlandesa, que em 2002 havia pedido à escola estatal Vittorino da Feltre, de Albano Terme (Pádua), na qual estudavam seus dois filhos, que tirasse os crucifixos das salas. A direção da escola se negou, por considerar que o crucifixo faz parte do patrimônio cultural italiano e, posteriormente, os tribunais italianos deram razão a este argumento.

Segundo a sentença de Estrasburgo, o governo italiano terá de pagar à mulher uma indenização de 5 mil euros por danos morais.

A primeira sentença da história desse tribunal em matéria de símbolos religiosos nas salas de aula considera que a presença do crucifixo na escola constitui “uma violação dos direitos dos pais de educarem seus filhos segundo suas convicções” e da “liberdade dos alunos”.

Segundo anunciou o juiz Nicola Lettieri, que defende a Itália no Tribunal de Estrasburgo, o governo italiano entrará com um recurso contra a sentença.

O comunicado de imprensa do episcopado italiano considera que esta sentença “suscita amargura e muitas perplexidades”.

“Ignora ou descuida o múltiplo significado do crucifixo, que não somente é um símbolo religioso, mas também um sinal cultural – acrescenta a nota. Não leva em consideração o fato de que, na verdade, na experiência italiana, a exposição do crucifixo nos lugares públicos está em harmonia com o reconhecimento dos princípios do catolicismo como parte do patrimônio histórico do povo italiano, confirmado pela Concordata de 1984”, que regula as relações Igreja-Estado nesse país.

“Dessa forma, corre-se o risco de separar artificialmente a identidade nacional das suas origens espirituais e culturais”, esclarece.

Segundo o episcopado, “não é certamente uma expressão de laicidade, mas uma degeneração em laicismo, a hostilidade contra toda forma de relevância política e cultural da religião”.

Por sua parte, o jurista Giuseppe Dalla Torre, reitor da Universidade LUMSA de Roma, considera, em declarações ao serviço de informação da CEI – SIR – que o argumento do tribunal constitui um “raciocínio equivocado baseado em um pressuposto: o crucifixo pode obrigar a uma profissão de fé. No entanto, o crucifixo é um símbolo passivo, isto é, não obriga ninguém em consciência”.



Vitral de São Martinho de Porres, OP.

terça-feira, 3 de novembro de 2009 |


Vitral de São Martinho de Porres OP, em Santo Estevão em Salamanca. Ele foi frade dominicano no Peru e recebe esta homenagem belíssima de um vitral que representa sua vida humilde e o amor aos animais. Considero os vitrais, junto das Catedrais, as mais legítimas formas de homenagem aos Santos e verdadeiros monumentos para exaltar a Virgem Maria.

Este santo é o padroeiro dos católicos mestiços, porque foi ele próprio um mestiço, pobre, abandonado moralmente. Pedia esmolas para os pobres, ajudava os enfermos da ordem dominicana e os fiéis quando caíam pelas ruas sem ter quem valesse por eles. Piedoso, socorria Bispos da mesma forma que socorria os pobres do rebanho de Cristo.

A enfermaria do convento estava sob seus cuidados e tratou, remediou e rezou por inúmeros padecentes das doenças do corpo e da alma. Quando entrou para a ordem dominicana seu único desejo era usar por toda a vida o hábito sem jamais retirá-lo. Se doava na varreção do convento com a mesma humildade que recitava os ofícios, o que lhe rendeu um lugar nos Altares Católicos.

Nenhuma tarefa por mais humilhante que seja aos olhos dos católicos acostumados com regalias, era abandonada orgulhosamente por Martinho. Varria, limpava, cozinhava, tirava os restos da mesa, dormia mal, não possuía posses, carpia, sendo estes os lugares comuns onde ele encontrou a essência da graça sobrenatural e experimentou o Amor de Deus nas entranhas de seu corpo. Sua festa é comemorada no dia 03 de novembro.

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Agradecimentos ao nosso leitor e amigo Bruno Mendez pelo envio da foto.







Cantar Sabiamente e com o Entendimento

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Tradução e Adaptação: O Atanasiano
Direitos reservados

Enchei-vos do Espírito Santo falando entre vós com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e salmodiando em vossos corações para o Senhor.

São Paulo convida os cristãos para louvar a Deus falando e cantando. Esta não é a primeira vez que as Sagradas Escrituras nos chamam para cantar. São Paulo, na Primeira Epístola aos Coríntios, diz: eu cantarei com o espírito, vou cantar com o entendimento. Em Inglês algumas traduções dizem "rezar" em vez de "cantar", mas a palavra em latim na Vulgata é "psallam", o que significa cantar os Salmos. Este versículo de São Paulo parece referir-se, precisamente, a um Salmo: o Salmo 48, que diz: "Cantai louvores ao nosso Deus, cantai louvores ao nosso Rei: Porque Deus é o Rei de toda a terra, cantam sabiamente".

Sobre o fato de que temos que cantar para proclamar a glória de Deus, é bastante óbvio e é certamente a única coisa que todos os cristãos de todas as denominações concordam. Mas não cantar não é certamente a tradição, e eu ousaria dizer, é mesmo uma espécie de resistência à graça de Deus. São Paulo relaciona o fato de ser cheio do Espírito Santo e de cantar e fazer melodia. Um provoca o outro. Porque você está cheio do Espírito Santo, como resultado, você canta para o Senhor. Cantar é também uma maneira espontânea de dar graças a Deus, como vemos quando Deus salvou Davi de seus inimigos no segundo livro de Samuel: todo o capítulo 22 é uma homenagem a Deus, e depois de recordar todas as suas obras, disse Davi: Por isso vou dar graças a Ti, ó Senhor, entre os gentios, e cantarei ao Teu nome.

O Salmo 22 também diz: Eu Anunciarei o teu nome aos meus irmãos no meio da igreja e vos louvarei. Acontece que essas duas citações do rei Davi são aplicadas a Nosso Senhor em 1Cor 15,9 e Hb 2,12 . Os apóstolos e discípulos viram e ouviram Nosso Senhor cantar os Salmos. E é Ele que nos ensina como cantar sabiamente com o entendimento.

Cantar é uma coisa. Cantar sabiamente com o entendimento é outra coisa. Todos os cristãos de todas as denominações cantam, mas eles certamente não cantam sabiamente com o entendimento. Aparentemente, haviam alguns irmãos carismáticos em Corinto e São Paulo teve que trazê-los de volta ao caminho certo. Foi nesta ocasião que ele disse: O que é então? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento, cantarei com o espírito, cantarei também com o entendimento.

Cantar sabiamente com o entendimento não é, afinal, difícil. Você apenas tem que seguir as regras da Igreja, Mater et Magistra, que diz a seus filhos como rezar. É com humildade que devemos receber o seu ensinamento, sabendo que tudo o que podemos pensar ou imaginar não é certamente melhor do que o que ela ensina. A liturgia é precisamente uma área - entre outras - onde podemos facilmente colocar em prática o “sentire cum Ecclesia" de Santo Inácio de Loyola. Muitas vezes a Igreja chamou os fiéis a cantar. Como o Papa Bento XVI recordou ano passado, durante sua viagem à França, o culto cristão é um convite para cantar com os anjos e, assim, levar a palavra ao seu mais alto destino.

Para São Bento, as palavras do Salmo: Coram angelis psallam Tibi, Domine - na presença dos anjos, eu cantarei o Seu louvor (cf. 138,1) - são a regra decisiva que regem a oração e o canto dos monges. - (São Bento escreveu sua regra para os monges, mas o que é dito sobre o canto também se aplica a todos os fiéis). O que isso expressa é a consciência de que em uma oração comunitária se está cantando na presença de toda a corte celeste, e é assim, medido de acordo com os padrões mais elevados: rezando e cantando de maneira a se harmonizar com a música dos espíritos nobres que eram considerados os autores da harmonia do cosmos. Desta perspectiva, podemos compreender a gravidade de um comentário de São Bernardo de Claraval, que usou uma expressão da tradição platônica transmitida por Agostinho, para julgar o mau canto dos monges, que para ele era, evidentemente, muito longe de ser uma acidente de menor importância. Ele descreve a confusão resultante de um canto mal executado como um cair na "zona da dessemelhança" - na "regio dissimilitudinis". Agostinho emprestou esta frase da filosofia de Platão, para designar o seu estado antes da conversão (cf. Confissões, VII 10.16): o homem, que é criado à semelhança de Deus, cai na "zona da dessemelhança" - em um afastamento de Deus, no qual ele já não O reflete, e assim deixa de ser semelhante, não só a Deus, mas a si mesmo, ao que o “ser humano” realmente é. São Bernardo está, certamente, colocando isso fortemente quando usa essa frase, que indica a queda do homem longe de si mesmo, para descrever o "cantar ruim" pelos monges. Mas isso mostra a seriedade com que ele analisa a matéria. Isso mostra que a cultura do canto é também a cultura do ser, e que os monges têm de rezar e cantar de uma forma condizente com a grandeza da palavra proferida a eles, com sua exigência de verdadeira beleza. Esta exigência intrínseca de falar com Deus e cantar sobre Ele com palavras que Ele próprio deu, é o que deu origem à grande tradição da música ocidental. Não era uma forma de criatividade "privada", em que o indivíduo levanta um monumento a si mesmo e faz da auto-representação seu critério essencial. Pelo contrário, trata-se de reconhecer atentamente, com os ouvidos "do coração", as leis intrínsecas da música da criação, os arquétipos da música que o Criador construiu no seu mundo e no homem, e assim descobrir a música que é digna de Deus, e ao mesmo tempo, verdadeiramente digna do homem, música cuja dignidade ressoa na pureza.

Abaixo, dois vídeos, o primeira demonstra a "zona de dessemelhança", e o segundo o "cantar sabiamente com o entendimento" (onde o coro e a congregação alternam o Kyrie).

Zona de dessemelhança:


Cantar sabiamente com o entendimento:


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Nota do Atanasiano: foram retiradas as menções específicas aos EUA contidas no texto original. Com este artigo pretendemos trazer para a realidade da Igreja no Brasil a tradição do canto litúrgico e o verdadeiro contexto da Carta aos Coríntios tão manipulada de forma indevida.

Fonte: De Fide Catholica

Liturgia e Arte

segunda-feira, 2 de novembro de 2009 |

O Atanasiano Ultrapapista

apresenta:

Arte Sacra e a Santa Liturgia
- Uma Odisséia pela Vida da Igreja -






Leitor Pergunta ao Atanasiano. Regnum Christi e Legionários de Cristo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009 |

Um estimado leitor do Atanasiano pergunta:

Carlos sou leitor do ultrapapista,reparei que voce não se refere mais aos legionarios e ao regnum christi atualmente,nem nos arquivos. Voce saiu do regnum christi?

Obrigado pela pergunta, porque ela me forçará a tratar de um assunto que há muito é uma ferida no meio do peito. Espero que este leitor me seja simpático, não concordando comigo, mas como cristão. O senhor me pegunta sobre o Regnum e os Legionários, e não sobre Pe. Marcial Maciel, embora seja difícil eu não tocar nesse aspecto. Digo que, pela minha falta de tempo, não pude revisar o texto, por isso, se errei em algo prometo corrigir depois.

Os últimos meses são para mim absurdamente difíceis, em vista da comoção gerada com as descobertas sobre a conduta de Pe. Marcial Maciel. Foi o golpe mais duro que já sofri, mas não pelas mãos da Legião e do Regnum Christi, mas por uma pessoa que confiei honestamente, e Deus sabe o quanto confiei. Se me chamarão de ingênuo ou de mera vítima, deixo para o juízo do meus leitores e demais detratores que policiam o Atanasiano.

Não, eu não deixei o Regnum Christi e nem por raros momentos me rebelei contra os Legionários. Eu fiz um juramento ao Regnum, segundo Rito Oficial, e enquanto me permitirem irei honrá-lo. Aqueles que comigo convivem sabem que desde antes dos lamentáveis - e nunca pouco lamentáveis - fatos sobre Pe. Marcial, eu sempre fui categórico em afirmar que ao jurar obediência, antes jurava ao Cristo e à Igreja, depois à Legião. Amo a Igreja com todas as minhas víceras, o que não me faz o melhor amante da Amada, nem menos pecador, ou ainda, mais instruído. Seria fácil para mim abandonar o barco quando ele estava repleto de avarias, e que Cristo me julgue com severidade jamais vista se erro ao querer ficar.

Não deixei só pelo fato de dever aos Legionários mais do que posso retribuir, mas pelo fato de que sou católico, por isso, marcado com o grave dever de justiça, é que não me afasto das minhas promessas: - fazer valer por todos os meios ao meu alcance os direitos de Cristo e da Igreja. São Luís Montfort diz que as promessas mais graves que fazemos são as promessas de Batismo, que nos imputam o dever de justiça.

Não deixei porque os Legionários com quem convivo e convivi são homens insuspeitos, por mais que pelos fóruns e sites se diga o contrário. Com a abertura dos diálogos entre FSSPX e Roma, diversos fóruns perguntaram: "Onde estão os Legionários, o Opus Dei e os Arautos agora?" Diante da verdade não temo, jamais temerei (São João Bosco), e por dever para com a verdade é que afirmo para quem não sabe ou finje não saber que, a primeira Missa Tridentina de minha adorada Izabel e de mais 50 católicos, foi celebrada por um Padre Legionário de Cristo, meu diretor, que é quem eu tenho como a alma mais caridosa, piedosa e fiel que já conheci. São Bento é testemunha que o Mosteiro ficou lotado de fiéis, religiosos, seminaristas, dentre eles muitos franciscanos que passavam por lá e pararam para participarem - ao seu próprio modo - do rito tridentino. Deus sabe que há quem lá foi só para nos vigiar, e sabe muito mais, de uma atitude muito comovente que testemunhei: um monge beneditino, ao saber que seria celebrado o rito tridentino, veio até me perguntando se ele poderia ajudar com o gregoriano, afinal, ele disse que nunca tinha visto o rito tridentino. "Sim meu caro", disse-lhe. Ele saiu correndo para pedir autorização ao Dom Abade, e veio para se unir a nós que lá estávamos. Ora, onde há justiça ao considerarem que um Legionário não se prestaria ao rito tridentino?

Amo meu diretor mais do amo a mim mesmo, a sua idoneidade é absoluta. Ele é insuspeito de heterodoxia e de relaxamento em plácido repouso. Deus Pai é testemunha que nunca tive coragem de dizer-lhe o quanto o amo, o que agora é público e notório. Conheço Legionários que jamais recusaram atender confissões, em qualquer hora do dia e da noite, em que lugar fosse. Não conheço um só Legionário que tenha se negado a administrar os Sacramentos. Quantos Legionários em suas viagens (e disso sou testemunha) pararam seus carros no meio das rodovias, pegaram sua estola, o ritual romano, a água benta, e ao verem um acidente foram atender as vítimas. Quantas delas não morreram nas mãos do meu diretor? Mas nenhuma delas morreram sem a última misericórdia em vida: a confissão.

Pode alguém perguntar: mas não fizeram eles nada menos que a obrigação de Padres? Sim, de fato! Mas em tempos onde a maioria absoluta os padres não atendem uma confissão sequer, não podemos chamar de virtude o que estes homens fizeram? Dirão que estou defendendo os frutos de Pe. Marcial, o que é praxe, afinal, os Legionários são Legionários. No entanto, me furtei do direito de contra-argumentar tais posições, especialmente porque sei diferenciar o caráter, pois se isso é verdade, então, vice-versa, podemos acusar São Francisco por nos ter dado Leonardo Boff. Não posso colocar no mesmo redil os bons e os maus. Posso acusar Cristo por ter chamado Judas para o Colégio Apostólico ao concordar que um Legionário não é bom pelo fato das condutas de Pe. Marcial Maciel. O bom pai não faz mau filho, o pai pecador não faz do filho um pecador.

Não deixei o Regnum, e por querer cumprir minha promessa que fiz diante do Santíssimo Sacramento, colocando minha mão direita sobre as Sagradas Escrituras, é que me disponho sempre - mesmo imundo pelo pecado - a poder contribuir.

Conheço um Regnum Christi de meninas pobres de Valinhos e Campinas, que tomam os ônibus de lotação - quando não 2 ou 3 lotações - ou que ficam horas no ponto para esperar a condução para suas reuniões. São senhoritas que se reúnem para rezar o terço, ler as Escrituras - e Cristo que me valha -, que passam fome e frio para cumprir as Missões. Quem não há de ter ternura por isso? Somente em nossos palacetes de retórica é que podemos negar que estas senhoritas fazem muito pela causa de Cristo. Um Regnum Christi elitista? Jamais, porque não é estatutário nele que os seus membros devem ser dos autos escalões sociais, afinal, se assim fosse, a sua parte mais grossa em conteúdo não estaria em suas fileiras. De sol-a-sol vejo essas senhoritas juntarem poucos centavos por semana para pagarem o ônibus e se encontrarem entre si. Há entre elas quem compre a passagem para outra. Se alguém desejar debater com uma dessas senhoritas, se alguém desejar a retórica, as alta teologia, a dissecação da Suma Teológica, já adianto que sairá vencedor no debate e com grande vantagem, mas não as vencerão na piedade e na oração. Maria Santíssima, ignorai-me e não me conte no número de Vossos Filhos se minto.

Peça a um Legionário para ser atendido em confissão, e será! Peça a um Legionário a Unção dos Enfermos para um doente no hospital: terá! Peça aos Legionários os últimos Sacramentos a um moribundo, que eu lhe garanto que não importa a distância que ele esteja, ele irá!

Julgar-me-ão das mais insondáveis formas, um ou outro leitor pode desacreditar totalmente no trabalho do Atanasiano; podem me isolar moralmente, mas jurei junto ao Santíssimo e com as Sagradas Escrituras, e mesmo que seja isolado do mundo por quem quer que seja, cumprirei o que prometi.

Estimado leitor, não desejo ser convincente e muito menos justificar-me. Respondo porque tenho os meus leitores em profunda consideração, porque o Atanasiano não faz nada que mereça reconhecimento e aplauso, motivo pelo qual o Atanasiano recusa e sempre recusará qualquer espécie de premiação, porque "o que de graça recebemos, de graça doamos". Se em algum momento não fui delicado e polido, compadecei de mim e me perdoe. Se falei algo que afronte a consciência de qualquer leitor, não me tomem como inimigo de ninguém, mas como um pobre que precisa muito de piedosas orações.

Quanto as referências aos Legionários e ao Regum no Atanasiano, ainda existem, e acho que não estão nas "tags". Outras deletei, como auto-penitência. Por fim estimado leitor, poderia rezar comigo?

Cristo, só Vós Sois o Justo Juiz, não me deixe sozinho na caminhada terrena, não afaste de mim a Vossa Santíssima Face por mais que os meus pecados me façam merecedores de ser banido da comunhão católica. Julga-me Senhor, submeta-me ao poder do Vosso Braço, donde emana a verdadeira Justiça. Lembra-te de mim no meu dia derradeiro, e imploro que me reserve um lugar no Purgatório.




Relíquias de Santa Teresinha de Lisieux em Londres.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009 |

O modo de vida católico expresso na devoção aos grandes santos e doutores da Igreja. Santa Teresinha do Menino Jesus manifesta muito bem o poder da graça divina na vida dos católicos sinceros com a tradição. As Reliquias foram escoltadas e guarnecidas pela Soberana Ordem Militar de Malta. Chamo a atenção para as vestes litúrgicas. Estas belíssimas imagens foram cedidas ao Atanasiano que está autorizado com os direitos de divulgação das fotos.



(Cavaleiros da Ordem de Malta guarnecendo o Relicário)




(Passarei meu céu fazendo cair sobre a terra uma chuva de rosas)



(Cavaleiro com a Túnica da Ordem de Malta)




A Sociedade Católica na voz do Pastor Angelicus

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O artigo que desejo de todo coração apresentar aos leitores do Atanasiano é lavrado pelo punho de Matheus Garbazza, e consta de um extenso rol de escritos que eu, de peito aberto, gostaria que fosse por mim assinado. No entanto, por um designo sapientíssimo da Providência, não me foi dada tamanha inteligência e sensibilidade.

Pesa-me o fato que faço uma longa apresentação para um longo artigo, e muito mais quando penso que de mim podem pensar que quero tirar do protagonista o seu brilho. Não é esse meu desejo, pois se faço isso é porque o autor escreveu palavras que me inspiram a escrever.

Sabemos que o modernismo tornou tão enfadonho o conceito de unidade, hierarquia, tradição, liturgia, magistério e catolicismo, que soa como cacófato quando os tradicionalistas - frise-se, ao estilo fundado por São Pio X - defendem a unidade que vai além desse grande projeto filantrópico que deseja dar à mentira os mesmos direitos da verdade. São eles os verdadeiros amigos do povo, quer agrade quer desagrade. Portanto, este filósofo nato merece um adiantamento de simpatia, porque ele não defende um conceito de unidade e magistério que arrepia - legitimamente - o senso tradicional, mas faz uma dissertação sincera do Magistério.

O escrito retrata a Odisséia de Pio XII, o Papa Pacelli, de quem sou devoto e nutro grande amor. O autor faz referências importantes, retrata o tecido profundo da história, penetra nas linhas sinceras do Pontífice que quer se opor ao dogma do politicamente correto. Melhor, se mantém distante daqueles católicos que usam a espada para a degola pelo simples prazer de degolar; de colocar o sangue moral dos hereges e heterodoxos no fio da navalha, como se a glória da espada fosse ser empunhada contra qualquer pessoa afastada da fé dos apóstolos, e por isso dizem que expressam a Verdade. De fato a expressam, mas à custa de que?

Quem há de vencer assim? A verdade é forte por si, e na guerra ensandecida pelo argumento mais eloqüente, dialético, sofismável - que nem Santo Tomás e São Domingos de Gusmão jamais usariam de tais métodos, mesmo sendo eles as mais fortes potências da razão católica -, quem são os vencedores? Justificam a violência moral no argumento, de que, o Diviníssimo Senhor, Cristo Rei, expulsou do Templo de Jerusalém, às chicotadas, os vendilhões que faziam da Casa do Pai uma casa do comércio. Ocorre que o mesmo Cristo que empunhou o chicote é o mesmo que foi dócil com Zaqueu, com Maria Madalena, com Nicodemos, com o Jovem Rico, que chorou com a morte de Lázaro, que impediu Pedro de empunhar o fio da faca contra os guardas do Templo, que não renunciou de caminhar ternamente com os discípulos de Emaús.

Santo Atanásio de Alexandria que empresta seu nome ao meu ofício e que me dá seu nome no Santo Crisma, foi intransigente e irredutível e talvez o mais dentre todos os santos, mas jamais sustentou a espada contra os hereges arianos e contra o poder do Império Romano sem justos motivos, com passionalismos, com o uso do ego sobre a razão. Vemos, outrossim, a verdade católica manipulada de forma despótica, para manter interesses meramente privados e não o direito público dos fiéis. Exclusivamente por mãos grosseiras, que ao seu próprio modo – não menos grosseiro – percebe-se o uso da força para o aniquilamento moral, o desejo sombrio de “ter sempre a razão a qualquer custo”. São Domingos de Gusmão, ao chorar aos pés da Santíssima Virgem a sua incapacidade de converter os hereges albigenses, mesmo depois de 4 anos de incansável pregação, se entrega como incapaz de fazer prevalecer os direitos de Cristo e da Igreja. A Virgem, Mãe Solícita e Devota ao Cristo, lhe revela que, se ele queria converter os inimigos do catolicismo, deveria antes rezar o Santo Rosário e administrar os sacramentos do que usar a persuasão. Feito! Após rezar o rosário aos prantos, dezenas de milhares de hereges se converteram ao catolicismo quando de sua boca ouviram as contas do Rosário e dele obtiveram a administração dos Sacramentos. Não há que ao menos pensarmos e refletirmos sobre nossos reais interesses como defensores da fé? Não há na escuridão de nossa natureza muito mais o desejo de sermos reconhecidos do que fazer conhecer o Cristo e a Igreja? Não, São Domingos não recusou a espada, mas também não recusou a compreensão e a oração.

A espada é para ser usada com destreza, habilidade, senão estaremos rememorando o período negro da justiça privada. Não quero legitimar o pacifismo tolo pós-iluminista, mas quero me opor ao uso indevido da navalha. O mesmo pacifismo tão denunciado por Pio XII. Pior que uma espada cega, sem corte, inócua e débil, é um cego empunhando uma espada afiada, que degola até mesmo aqueles hereges que estão dispostos a ouvir: - é o que jamais deve ser feito. É um católico inflamado pelo ego que possui em suas mãos o precioso acervo da Doutrina Santa e usa-o indiscriminadamente, sem critérios, sem docilidade, na escuridão dos vícios humanos, “batalha pela batalha” apenas, não por amor que jamais renuncia o Depósito da Igreja. A verdade não é passional, no entanto, quantos passionais querem dela usar? A razão nos foi dada para ser usada, e creio que verdadeiramente um herege quer ser tratado como tal, mas os campos estão verdes para a colheita, por isso, um católico pode, por abuso do direito da verdade, acabar por queimar o trigo em vias de ser colhido junto do joio que o torna impuro. Há o cuidado necessário para não matar aquele que busca às apalpadelas a conversão junto daquele que nega o domínio de Cristo sobre a Igreja Católica, esse é o poder insano da espada: a tudo e a todos aniquila. Aos primeiros todas as portas da compreensão abertas, ao segundo o poder da persuasão, da fé, dos símbolos católicos, escrupulosamente e sem aceitarmos transigências em matéria de fé. Só há uma forma de diferenciar um de outro: joelhos dobrados e rezando.

Não me pergunto quantos hereges estes converteram, mas quantos eles deixaram de converter. Quantos homens e mulheres que estavam dóceis aos anseios iniciais da graça divina e que dela se afastaram não porque viram um cavaleiro mas um gladiador? Quantos pobres de espírito, humilhados pelos erros, contritos, arrependidos não gostariam de tomar do mel católico, mas só notaram que, por terem crido em heresiarcas como Lutero, são eles também tidos como tais? Quantos deles não são meras vítimas de um engodo? A espada para quem quer a espada, a docilidade para quem não tem a mesma compreensão que nós. A compreensão para os hereges não obstinados, que, pela falta de habilidade com as palavras, não conseguem apenas se expressar de um modo que agrade nossos ouvidos. Antes um homem de olhos abertos empunhando um fio cego, do que um cego, passional e tolo, empunhando um fio afiado. Quem irá negar que Pio XII e seu Magistério não foi cortante como a espada, pelo fato dele saber usá-la com destreza? Quantos teólogos foram condenados por ele, quantas piedosas mulheres acorreram aos seus pés, quantas famílias foram por ele edificadas quando estavam à beira da perdição, e quantas vítimas do horror nazista não se refugiaram debaixo de seus braços abertos em forma de Cruz? Este é Pacelli, o Papa dos humilhados.

Enfim, quando eu era criança, com apenas 1 ano de idade, sofri uma queda do segundo andar da casa onde eu morava, e graças ao auxílio do Papa Pacelli que por mim intercedeu, estou vivo. O que irão ler é a espada, com seu fio cortante, mas usada com destreza, habilidade, sensibilidade, no entanto, sempre pronta para ser força quando a força for necessária.

Agradeço ao autor por ter, gentilmente, cedido os direitos ao Atanasiano. Peço também, sinceras desculpas por minhas delongas totalmente dispensáveis.

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A Sociedade Católica na voz do Pastor Angelicus -Excertos do Magistério Social do Papa Pio XII

por Matheus Roberto Garbazza Andrade

Proêmio

Misereor super turbam” - Compadeço-me da multidão (Mc 8, 2), é a expressão que o Papa Pio XII usou para demonstrar a sua profunda misericórdia por todos os que sofriam pela catástrofe que foi a II Guerra Mundial. A compaixão pelo povo, rebanho do redil de Cristo, é, no dizer do Pontífice, senha sempre válida e impulsionadora da proclamação da Verdade universal que foi posta pelo Divino Redentor sob a tutela da Santa Igreja Católica. E, diante de tantos males daquela época, da terrível carnificina e desordenamento social provocados pelo conflito mundial, o Papa se ergueu como farol luminoso a proclamar a Doutrina da Igreja, doutrina que é a Luz de Cristo refletida na sua esposa pura e sem mancha, sempre nova apesar das muitas eras pelas quais passou, buscando não só solucionar os conflitos mas também reorganizar a ordem da sociedade, que já há muito tempo havia sido perdida.

O Papa não era um dos ‘senhores da guerra’, fortemente protegidos em seus esconderijos, alheios à todo clamor da população mundial e ensimesmados em seus próprios interesses. Pelo contrário, portava-se com muita propriedade Pio XII como mais um dos atingidos pela Guerra, sensível à dor e ao sofrimento do povo. Dizia o Pontífice, comunicando o que lhe movia a enviar ao mundo a sua mensagem: “nesses acerbos tempos de cataclismos bélicos sofremos com vossos sofrimentos e penamos com vossas dores, nós que vivemos, como vós, sob o gravíssimo pesadelo que dilacera a humanidade” (1).

E que terrível foi a guerra! É impossível imaginar como se sentiam aquelas pessoas diante de tamanho cataclismo, que durante tantos anos separou famílias, dizimou soldados, destruiu cidades e seus monumentos, e deixou milhares de feridos, órfãos, viúvos, desesperados. O sentimento e a condição da sociedade de então eram um “rio de lágrimas e de amarguras, ao cúmulo de dores e tormentas que procedem da ruína mortífera do descomunal conflito e que clama ao céu, invocando a vinda do Espírito Santo que livre o mundo da invasão do terror e da violência”(2) . Tal conflito não foi somente uma vontade dos líderes das nações, muito menos dos combatentes. Suas raízes são muito mais profundas, advindas das ideologias perversas geradas séculos antes, principalmente depois da tresloucada “Revolução Francesa”, que culminou na colocação do homem no lugar de Deus.

Atendendo aos anseios do povo e das nações ansiosos por ver, terminado o conflito, um caminho certo a ser trilhado, o Papa escreveu duas potentes mensagens, divulgadas pela força do rádio a todos os confins do mundo. A primeira, no Natal do Senhor de 1941, foi a Nell‘Alba e Nella Luce, que - no dia refulgente em que a humanidade se ajoelha perante o verbo encarnado - levou a exortação do pontífice para que os homens permanecessem firmes na fé e esperassem confiantes no recém-nascido salvador, enquanto o Papa ditava diretrizes para o reestabelecimendo da ordem internacional. A segunda, no Natal seguinte, 1942, foi a Con Sempre Nuova Freschezza, que iluminava a reconstrução da ordem interna das nações.

Ah! Tivesse sido atendido o Pontífice, e a situação do mundo hodierno seria bem diferente. Entretanto, o espírito mesquinho que gerou a Guerra continuou vitorioso, levando as nações a permanecerem em ‘paz vigilante’, enquanto comunistas e capitalistas lutavam (nem tão) silenciosamente pala consolidação do poder. E ainda hoje, num mundo completamente ateu e relativista, em que os esforços pela dignidade da pessoa humana parecem vãos, e as vozes que a proclamam, mudas. Pior ainda, as vozes que proclamam Deus são não só ignoradas, mas contadas entre as vozes loucas e desordeiras, avessas ao progresso e à ciência.

Embora o mundo tivesse sede das palavras do pontífice, e de sua plena realização, não foi com base nelas que as nações puseram a nova ordem. “Campeia no mundo o pecado e o vício. Baniu-se da vida individual e social o espírito de justiça e caridade. O mundo continua envolto em espessa nuvem de mentiras, de erros, de paixões, de ódios, de invejas, de vinganças e injustiças, de alarmante confusão de idéias, de ambições cegas e egoísmos ferozes, de orgulhos arrogantes e provocadores, de expansionismos imperialistas, de hegemonias insatisfeitas e de aventuras perigosas que podem facilmente conduzir a novos conflitos os povos e as nações”(3) .

É justamente por isso que se tornam tão oportunas, ainda hoje, as palavras do Santo Padre, mesmo depois de tantos anos decorridos desde o encerramento do conflito. Se o mundo quiser caminhar em paz, seguro em suas bases e forte nas suas realizações, há de ouvir a Doutrina Social da Igreja, da qual o magistério de Pio XII é parte fundamental. Cabe, portanto, rever o ensinamento do pontífice nas duas mensagens citadas, para re-ofertar ao mundo aquele caminho seguro oferecido pelo Papa há tantos anos. Certamente é apenas um começo, mesmo porque as necessidades dos tempos vão exigindo atitudes novas, mas a Doutrina Social é perene, e não apenas sazonal, como se ontem tivesse sido uma e hoje já fosse outra. Portanto, mais do que pertinente ouvir a voz do “Pastor Angelicus”, que é tão propriamente o “Angelus Pacis”, no dizer do Pe. José Maria Félix.

I - Causas dos males da sociedade atual e suas conseqüências

O Papa, observando o que acontecia no mundo, via as causas mais profundas do conflito e da desordem social que o causava e por ele era causada. Antes de condenar os sistemas políticos e econômicos, que certamente tiveram sua parcela de culpa, Pio XII analisava as causas que levaram à criação de sistemas incompatíveis com a dignidade da pessoa humana. E a principal delas era a ausência de Deus nas relações internas e externas, tanto das pessoas quanto das nações. E era essa atitude desviada e condenável a que mais o afligia. E o afligia porque, justamente aquela Europa que já fora coesa pela fé no Divino Redentor, e posta sob o signo da Cruz, agora renegava a fé e decaía em progresso social, porque foi justamente a fé em Deus que tornou a Europa mestra das nações, capaz de civilizar e catequisar os outros povos.

O esquecimento de Deus promoveu na sociedade o vil conceito de laicização, que “tem feito progressos cada vez mais rápidos, subtraindo o homem, a família e o Estado do benéfico e regenerador influxo da idéia de Deus e do ensino da Igreja, fez ressurgir, em regiões onde por espaço de tantos séculos brilharam os fulgores da civilização cristã, indícios, cada vez mais claros, mais distintos e angustiosos de um paganismo corrompido e corruptor”(4) . Tal como aquele paganismo que, tendo crucificado o Redentor viu a escuridão do céu, esse novo paganismo vê obscurecer-se toda a terra. Pois os pretensos reformadores da sociedade “falavam de progresso quando retrocediam; de elevação, quando se degradavam; de ascensão ao amadurecimento, quando caíam na escravidão; não percebiam a vaidade de todo o esforço humano em substituir a lei de Cristo por alguma outra coisa que a igualasse”(5) .

A desobediência e o afastamento de Deus e de suas leis faz o homem, assim como os primeiros pais no paraíso, sentir-se imbuído de liberdade que, no fundo, é completamente falsa, porque acaba escravizando-o ao pecado e à desordem social. Essa falsa liberdade acaba retirando todo o fundamento moral que a civilização cristã sedimentou ao longo dos séculos, e que permitiu que os povos se desenvolvessem de modo harmônico, tanto quanto possível. A lei moral foi esquecida e subvertida. “Quando se renega Deus, abala-se toda a base de moralidade; sufoca-se ou, pelo menos, debilita-se de muito a voz da natureza, que ensina, até aos iletrados e às tribos ainda alheias à civilização, o que é bem e o que é mal, o que é lícito e o que é ilícito, e faz sentir a responsabilidade das próprias ações perante o Juiz Supremo”(6) .

O “agnosticismo religioso e moral” leva a uma das causas mais perturbadoras da desordem social, e que torna quase impossível a convivência pacífica e harmônica entre os povos e indivíduos. Tal é o esquecimento da lei da caridade e solidariedade humana. Desde o princípio da história, Deus mostra que é caridade e humildade, coroando a obra magnífica da sua criação com o homem, feito à sua imagem e semelhança. Em Cristo essa majestade sublime do gênero humano que se escureceu pelo pecado foi novamente revelada. A medida em que o homem se esquece da lei da caridade torna-se mais diferente de Deus, que por amor criou, redimiu e santificou seus filhos, e continua progressivamente a santificar. E o afastamento do exemplo divino torna cada vez mais difícil o verdadeiro progresso das nações e das pessoas, porque faz com que as suas relações (que deveriam ser harmônicas e solidárias, movidas pelo bem comum) tornem-se ásperas, frias e apessoais, movidas apenas pelos interesses próprios.

E, se alguns líderes e pessoas mais influentes na sociedade (tanto hoje quanto então) não reconhecer serem promovedores desse neopaganismo, mas afirmam ainda serem cristãos, certamente não o são segundo a Verdade proclamada pela Igreja, mas a fim de se justificarem em suas ações, e para poderem ganhar a confiança dos mais religiosos (e sobretudo dos eclesiásticos) “forjaram um cristianismo a seu talante, um novo ídolo que não salva, que não repugna às paixões da concupiscência da carne, à avidez do ouro e da prata que fascina a vista, à soberba da vida” (7). E quantos não são os grupos que, mesmo hoje, promovem intrigas demoníacas e semeiam a iniqüidade entre o povo de Deus como se fosse doutrina católica, mas temem a face e a palavra do Romano Pontífice, julgando-o alheio às reais necessidades do povo e, pior ainda, causador de seus males por pregar um cristianismo opressor!

Na Europa e no mundo, o relaxamento dos costumes causou um vácuo moral, que engoliu todas as normas da vida social, e principalmente a religião. Ocorreu e continua a ocorrer uma anemia religiosa, semelhante à uma terrível doença contagiosa que se espalha pelas nações. É uma descristianização da sociedade, que leva os homens a voltarem-se e olharem só para “o mundo material, afanando-se e suando por se dilatarem no espaço, por crescerem cada vez mais, além de todos os limites, na conquista da riqueza e do poder, para competirem em produzir, mais rapidamente e melhor, tudo o que parecia requerer o adiantamento e o progresso material”(8) .

As conseqüências de tudo isso foram vistas de forma contundente durante a guerra, e ainda hoje se vêem, não em tão grande escala, mas em igual gravidade quando se pensa nas vidas envolvidas. O Papa as denunciava, iluminando o agir dos governantes, para que identificando-as pudessem depois eliminá-las. O principal efeito das nefastas atitudes que retiraram Deus do panorama social foi justamente a perda do conceito de dignidade humana, duramente pervertido e esquecido. “A majestade e a dignidade da pessoa humana e das sociedades particulares foi cerceada, aviltada e suprimida pela idéia de força que cria o direito”(9) . As relações sociais tomaram então um caráter puramente físico e mecânico, como se as pessoas fossem objetos, já desprovidos de toda religião e agora também de dignidade social.

A propriedade privada foi igualmente desvirtuada, tanto em sua licitude quanto em sua justa utilização. “Para uns, tornou-se num poder direto de desfrutar o trabalho alheio, noutros gerou inveja, descontentamento e ódio; e a organização que daí nasceu converteu-se em forte arma de luta para fazer prevalecer os interesses de classe”(10) .

O Papa não temeu, ao condenar o materialismo do último século e do tempo presente, ser acusado de incriminar o progresso técnico, pois sabia que esse argumento é infundado. O progresso das habilidades humanas é um dom de Deus, que desde a criação manteve segredos velados na natureza para que os homens os descobrissem com esse dom. De todos os bens, entretanto, e mesmo da liberdade - assim dizia o Pontífice - se podem fazer usos bons ou maus, aceitáveis ou não. O esfacelamento da ordem moral ocasionou que o progresso técnico e científico se desvirtuasse, e não por si mas pela sua má utilização, é a própria técnica que deve, amparada por sólidos princípios morais, expiar seu erro e ser punidora de si mesma.

Diante disso tudo, não é causa de espanto que tenha estourado a guerra, porque as nações e as pessoas se distanciaram cada vez mais da palavra de Cristo - Príncipe da Paz. “A guerra, funesta conseqüência e fruto das condições sociais descritas, bem longe de lhes sustar o influxo e o desenvolvimento, promove-o, acelera-o, amplifica-o, com tanto maior ruína, quanto mais se prolonga, tornando a catástrofe cada vez mais geral”(11) .

II - Remédios para restabelecer a ordem

Depois de apontar, com muita propriedade, as causas dos males da sociedade, comunicou Pio XII os remédios para saná-los da melhor forma possível, e restabelecer à humanidade aquela dignidade perdida pelo afastamento de Deus e pelo materialismo. E tais remédios continuam muito atuais, posto que as causas que levaram àquela catástrofe continuam - em maior ou menor grau - presentes também na sociedade atual. São, portanto, pilares sempre válidos para a construção da sociedade católica. Primeiro, o Pontífice trata sobre assuntos gerais, bases mais fundamentais para reestruturar a ordem da sociedade. Depois, complementando, enumera as atitudes a serem tomadas a fim de corrigir o ordenamento das relações internacionais e nacionais.

Se a causa inicial dos nefastos problemas da sociedade é o afastamento de Deus e da observância da lei moral, o primeiro passo a ser tomado para conduzir a sociedade para o verdadeiro desenvolvimento e convivência é o retorno à fé e aos bons costumes. E parte fundamental disso é a vida religiosa, o temor a Deus. “Não se vê outro remédio, senão a volta aos altares, aos pés dos quais inumeráveis gerações de crentes têm encontrado a bênção e a energia moral necessária para cumprir os próprios deveres; a fé que iluminava indivíduos e sociedades, ensina os direitos e deveres competentes a cada um”.(12)

No plano social, não há desenvolvimento e promoção humana que não se alie com os princípios divinos - não que em toda ação social se deva efetuar pregação religiosa, ou que a Igreja sirva unicamente para a caridade social, mas que se deve ter em mente, ao executá-la, aqueles princípios emanados da Doutrina Social, que ilumina com a palavra de Deus as diretrizes da vida social. “Um doutrina ou constituição social que renegue essa conexão interna e essencial com Deus, de quanto respeita o homem, ou disso prescinda, segue falso caminho” (13). A Doutrina Social da Igreja, estabelecendo bases sólidas, prudentes e inabaláveis para a ordem social, “levanta uma barreira igualmente eficaz contra o abuso da liberdade e o abuso de poder”(14) .

O cuidado social não pode, entretanto, querer reduzir os homens à mesma medida, eliminando suas diferenças naturais e que são benéficas à natureza(15) , sob o pretexto de manter a coerência e unidade interior que são essenciais para o desenvolvimento. “Quando se obedece ao supremo legislador de tudo o que respeita ao homem, Deus, as semelhanças não mais que as diferenças dos homens encontram o lugar conveniente na ordem absolta do ser, dos valores e, por conseguinte, da moralidade. Pelo contrário, abalado tal fundamento, abrir-se-á, entre os vários campos da cultura, uma perigosa descontinuidade, aparecerá uma incerteza e fragilidade de contornos, de limites e de valores, de modo que só meros fatores externos e muitas vezes cegos instintos vêem, depois, a determinar, segundo a dominante tendência do dia, a quem incumbe o predomínio de uma ou outra orientação”(16) .

Para que a vida social obtenha seu objetivo e consiga levar aos homens o legítimo progresso e a realização das suas necessidades, é necessário que se instaure uma justa ordenação jurídica, a fim de lhe apoiar, reparar e proteger. “A função dela não é dominar, mas servir, tender a desenvolver e acrescer a vitalidade da sociedade na rica multiplicidade de seus fins, conduzindo ao aperfeiçoamento de cada uma em concurso pacífico todas as energias, defendendo-as com meios apropriados e honestos de tudo o que seja desvantajoso ao seu pleno desenvolvimento”(17) . Árduo e alto objetivo do ordenamento jurídico é assegurar relações harmônicas entre os indivíduos e entre as nações, e promove-las de tal modo que todos possam se desenvolver, e assegurar ao homem o progresso dos seus valores pessoais, como imagem de Deus que é.

Querer separar o direito da moralidade é perverter o seu fim, e basear-se em postulados errôneos. Todas as modernas tendências que tentaram efetuar tal separação falharam vergonhosamente e arrastaram a humanidade à ruína do conflito, principalmente as que são citadas pelo Pontífice:

a) “O positivismo jurídico que atribui uma enganosa majestade à publicação de leis puramente humanas e abre caminho a uma perniciosa separação entre leis e moralidade”;

b) “O conceito que reivindica para certas nações, raças ou classes o instinto jurídico, como último imperativo e norma sem apelação”;

c) “Aquelas várias teorias que, embora diversas entre si e procedendo de pontos de vista ideologicamente opostos, concordam umas com as outras em considerar o Estado, ou o organismo que o represente, entidade absoluta e suprema, isenta de fiscalização e de crítica, mesmo quando seus postulados teóricos e práticos vão de encontro à aberta negação dos dados essenciais da consciência humana e cristã”(18) .

A solução para fazer com que o ordenamento jurídico volte aos seus objetivos fundamentais, possa realmente garantir a justiça e, por conseguinte, a paz, é o retorno à “concepção espiritual e ética, séria e profunda, aquecida ao fogo de verdadeira humanidade e iluminada pelo esplendor da fé cristã, a qual faz encarar a ordenação jurídica como uma refração externa da ordem social desejada por Deus e luminoso fruto do espírito humano, o qual também é imagem do Espírito divino”(19) . Enfim, a caridade cristã é fundamental para a justa construção do ordenamento jurídico. Não há entre ambos “oposição nem alternativa: amor ou direito, mas síntese fecunda: amor e direito”(20) , pois conforme o Espírito de Deus eles se integram cooperando no caminho da pacificação, pois “sempre o direito aplainda o caminho do amor e o amor mitiga e sublima o direito”(21) .

Por fim, um fundamento essencial da paz e remédio eficaz da reparação dos males sociais é a tranqüilidade. São vãos todos os esforços humanos que, no afã de quererem reconstruir a sociedade, não descansam em Deus e não pensam e planejam seus atos. É necessário que se tenha paciência e tranqüilidade, à exemplo da Igreja, que é paciente na tribulação. Não se trata de indolência ou relutância, nem apego às coisas como estão. O bom cristão sabe que na sua responsabilidade perante a ordem social não há espaço para a preguiça ou a fuga, mas “há, sim, lugar para a luta, para a ação contra toda inatividade e deserção na grande arena espiritual, em que se propõe à porfia a construção ou antes a própria alma da sociedade futura”(22) .

Tais são os remédios oferecidos por Pio XII para sanar os males daquela sociedade encoberta pela sombra da guerra, e que permanecem lustrosos como se tivessem sido ditados hoje. O Pontífice já alertava, entretanto, que é necessária a promoção vibrante desses valores perante a sociedade. Os cristão devem se empenhar firmemente, cada qual segundo as suas possibilidades, na construção da ordem social segundo o que diz a Igreja, e “o apelo a estas benéficas fontes deve ressoar alto, persistente, universal”(23) . Caso contrário, mesmo que a sociedade pareça crescer e oferecer possibilidades de progresso à humanidade, farão que se torne atual também a sentença de Santo Agostinho: “Correm bem, mas não correm no caminho. Quanto mais correm, mais erram, porque mais se extraviam”(24) .

Além desses remédios gerais, o Papa também enumera caminhos para refazer e sublimar a ordem social tanto entre as nações quanto entre os indivíduos, no interior delas.

A) Para a ordem internacional

a) Respeito pela liberdade e a vida das nações, mesmo as menores

Para que a ordem internacional seja fundada e mantida segundo a lei moral, a liberdade e a integridade das nações devem ser protegidas e estimuladas, para que cada uma promova da melhor forma possível os interesses de seus cidadãos. Nesse sentido, pouco importa a extensão territorial e a capacidade de defesa das nações, pois o mesmo princípio vale para as grandes potências e as nações mais reduzidas. Se os grandes Estados podem traçar o caminho para a construção de blocos econômicos e para os seus negócios, é incontestável que devem respeitar a liberdade das outras nações, por mais inexpressivas que sejam, no campo político. O livre desenvolvimento econômico e justa neutralidade das nações nos conflitos entre os Estados deve ser tutelado, pois só assim poderão trabalhar adequadamente e conquistar o bem comum para os seus habitantes, bem como seu bem-estar material e espiritual.

b) Liberdade das minorias éticas“No campo de uma nova ordem fundada sobre princípios morais, não há lugar para a opressão manifesta ou súbdola das peculiaridades culturais ou lingüísticas das minorias nacionais, para o impedimento ou contração das suas possibilidades econômicas, para a limitação ou abolição da sua natural fecundidade”(25) . À medida em que os Estados passam a respeitar as minorias e a promover os seus legítimos interesses, mais poderão cobrar delas o cumprimento dos seus deveres sociais e a participação nos assuntos nacionais.

Certamente, não podem ser incluídas nessa classe as minorias sociais que, em nome de uma falsa liberdade, pregam atitudes, ideologias e comportamentos completamente opostos à lei moral e à justa ordem das nações. Estas, com muita justiça, devem ser combatidos pelos Estados, ainda que com respeito à lei e à caridade.

c) Reorganização pacífica e metódica da economia mundial

É injusto perante a moralidade que as nações mais favorecidas monopolizem, com seus ‘cálculos egoísticos’, as fontes econômicas e as matérias de uso comum, fazendo com que as nações menos providas de recursos pela natureza fiquem excluídas do acesso à tais fontes. É necessário que todos tenham acesso aos bens da terra, mesmo que algumas nações façam parte “das nações que dão e não das que recebem”(26) .Esta justa e necessária participação, entretanto, não pode ser feita com base em pressupostos e doutrinas erradas, embora pareçam a primeira vista possibilitarem-na. Pelo contrário, é necessário que se faça “metódica e progressivamente com as necessárias garantias, e aproveitando a lição das faltas e omissões do passado”(27) . Ensina o Pontífice que se essa questão fundamental não for resolvida com inteligência e competência técnica haverá sempre um pretexto para o conflito e a inveja entre as nações.

d) Eliminação da guerra, limitação de armamentos e obediência aos tratados

É necessário cuidado para que não se abata sobre a humanidade a calamidade de um terceiro conflito de âmbito internacional, pelas nefastas conseqüências por duas vezes já experimentadas. Nesse passo, é fundamental que não haja desigualdade exagerada entre o poder bélico dos estados mais ricos e os mais pobres, pois tal desequilíbrio gera um perigo iminente e um obstáculo difícil na conservação da paz.

À medida em que o desarmamento vai sendo realizado, devem ser criados meios adequados para a preservação da ordem internacional, como os tratados entre as nações que determinam os deveres e obrigações de cada Estado em relação aos outros e aos interesses do povo. “Para que renasça a confiança recíproca, devem surgir instituições que, conciliando o respeito geral, se dediquem ao nobilíssimo ofício de garantir o sincero cumprimento dos tratados, e de promover, segundo os princípios do direito e equidade, oportunas correções ou revisões”(28) .

e) Liberdade religiosa e respeito pela missão da Igreja

Se a maior causa dos conflitos internacionais é a falta do temor a Deus, obviamente não há lugar para a perseguição religiosa e anticlerical nas relações mundiais. Pois a fé não é apenas uma virtude, mas a porta que faz entrar ao coração humano todas as demais virtudes, sendo portanto a fonte de toda a energia moral que move a sociedade e “forma aquele caráter forte e constante que não vacila nas lutas da razão e da justiça”(29) .Os homens tementes a Deus, e muito mais se forem responsáveis pelos caminhos dos Estados, podem contribuir com bens valiosíssimos para a construção do amor e da fraternidade entre os homens.

É estranho, portanto, que os Estados queiram retirar a influência da Igreja na sociedade (influência que nesses dois mil anos de história tem sido unicamente e completamente benéfica) mas permitam propagandas ignominiosas a favor da falta de moralidade e da deturpação dos bons costumes. “Subtraem a juventude à benéfica influência da família e alheiam-na da Igreja; educam-na num espírito adverso a Cristo, instilando-lhe idéias, máximas, e práticas anticristãs; tornam árdua e embaraçada a obra da Igreja na cura de almas e no exercício da beneficência; desconhecem e rejeitam o seu influxo moral sobre os indivíduos e a sociedade”(30) . E a sociedade viu e continua a ver quão prejudiciais essas privações tem sido para o seu desenvolvimento...

B) Para a ordem interna das nações

a) Salvaguarda da dignidade e dos direitos da pessoa humana

A dignidade que Deus conferiu a cada uma das pessoas deve ser plenamente restituída, para que os homens possam se desenvolver e se relacionar segundo os planos divinos. A mentalidade materialista, que excluiu Deus e instrumentalizou a pessoa no plano social, deve ser duramente combatida. Devem ser, à medida do possível, sanadas as grandes concentrações humanas que fazem as pessoas parecerem multidões sem alma. Hão de ser eliminados também a falta dos bons princípios morais, hauridos da revelação divina e da lei da Igreja, bem como a mentalidade sensual, que tudo julga pelas aparências - sentidos.

É necessário que se promovam todos os legítimos direitos do homem, fundamentais para o seu reto desenvolvimento, que são enumerados claramente pelo Pontífice: “o direito a manter e desenvolver a vida corporal, intelectual e moral e particularmente o direito a uma formação e educação religiosa; o direito ao culto de Deus, particular e público, incluindo a ação da caridade religiosa; o direito, máxime, ao matrimônio e à consecução do seu fim; o direito ao trabalho como meio indispensável para manter a vida familiar; o direito à livre escolha de estado, também sacerdotal e religioso; o direito ao uso dos bens materiais, consciente dos seus deveres e limitações sociais”(31) .

b) Defesa da unidade social e particularmente da família

Os indivíduos não devem ser vistos segundo a ótica materialista - que julga os homens como uma massa de objetos sem alma nem vontade, desunidos e sem consistência. Pelo contrário, são as pessoas uma unidade interna, com relações especiais e particulares entre si segundo as qualidades particulares. Portanto, proteger e estimular a sociedade para que se torne cada vez mais coesa e solidária é vital para que a própria sociedade se desenvolva.

A forma mais eficaz para essa defesa é a proteção ao matrimônio e à sua indissolubilidade, que formam a família, célula primária na vida social. E a família também deve ter seus legítimos direitos guarnecidos, “para que ela possa atender a missão de perpetuar nova vida e de educar os filhos num espírito que corresponda às próprias e verdadeiras convicções religiosas”(32) . Alguns cuidados são necessários para que esses direitos sejam garantidos, como possibilitar ao pai da família um trabalho próximo do local de habitação, de modo que ele possa assegurar e participar da educação dos filhos. Educação que deve ser atentamente vigiada, posto que em muitas escolas, sob o influxo do materialismo, do nazismo, do relativismo e do marxismo envenenam e destroem tudo o que os pais haviam ensinado aos filhos.

c) Promoção da dignidade do trabalho

O trabalho é um “meio indispensável para o domínio do mundo, que Deus quis para a sua glória”, e portanto “possui uma dignidade inalienável”(33) . É contra a ordem moral, portanto, todas aquelas iniciativas que visem reduzir a dignidade do trabalho ou do trabalhador, ou que se utilizem disso para conseguir alcançar os seus fins. Para estabilizar a ordem social é necessário, portanto, fazer resplandecer novamente o trabalho como obrigação digna do homem. A Igreja e o Papa ostentam para a sociedade as conseqüências que resultam da nobreza moral do trabalho, que “compreendem, além de um salário justo, suficiente para as necessidades do operário e da família, a conservação e o aperfeiçoamento de uma ordem social, que torne possível, a todas as classes do povo, uma propriedade particular segura, se bem que modesta, favoreça uma formação superior para os filhos das classes operárias, particularmente os dotados de inteligência e boa vontade, promova o cultivo e a atividade prática do espírito social na vizinhança, nas povoações, na província, no povo e nas nações, que, mitigando os contrastes de interesses e de classes, impeça nos operários a impressão de afastamento com a certeza confortante de uma solidariedade genuinamente humana e cristãmente fraterna”(34) .

d) Reintegração da ordenação jurídica

Ninguém melhor do que um doutor em direito (canônico) para constar como a ordenação jurídica do seu tempo havia sido aviltada. E como o direito, aliado à caridade, é fundamental para o progresso da sociedade, oferece Pio XII metas para que o direito seja exercido sobre uma segura base jurídica, e não sobre os desvios das vontades dos governantes, para que todos tenham direito à segurança jurídica. São elas:

“a) um tribunal e um juiz que tomem as suas diretrizes de um direito claramente formulado e circunscrito;
b) normas jurídicas claras que não se possam sofismar com apelações abusivas para um suposto sentimento popular ou com meras razões de utilidade;
c) o reconhecimento do princípio segundo o qual também o Estado, com os seus funcionários e organizações que dele dependem, está obrigado a reparar e revogar medidas que lesem a liberdade, a honra, o adiantamento e a saúde dos indivíduos”(35) .

e) Concepção do Estado segundo o espírito cristão

‘Reinar é servir’. Este princípio basilar deve ser incutido na concepção e prática estadual, de modo a fundá-las sob uma “disciplina racional, uma nobre humanidade e um responsável espírito cristão”(36) . O Estado e seu poder devem ser servidores da sociedade, com respeito irrepreensível à dignidade humana, ajudando as pessoas a chegarem ao seu fim eterno. Deve ser estabelecido sob bases morais e jurídicas tais que possa prover o legítimo progresso.

“Nobre prerrogativa e missão do Estado é, pois, o fiscalizar, auxiliar e ordenar as atividades particulares e individuais da vida nacional, fazendo-as convergir harmonicamente para o bem comum, que não pode ser determinado por concepções arbitrárias, nem pode receber a sua norma primariamente da prosperidade material da sociedade, mas sim do desenvolvimento harmônico e da perfeição natural do homem, a quem, como meio, é pelo Criador destinada a sociedade”(37) .

III - Missão do católico na construção da sociedade católica

Na ordem social, como na espiritual, nem tudo compete a todos. Há ações que, pelas diferenças e desigualdades estabelecidas de forma justa pelo Criador, competem a algumas classes e não as outras. Da mesma forma como é um erro que as classes competentes não ajam segundo a Justiça, é igualmente danoso que, pelo conflito social, algumas classes queiram ilegitimamente promover ingerência em assuntos que não lhes competem, objetivando eliminar as diferenças.

Portanto, mesmo que a necessidade seja premente, são muitos os católicos que embora estejam aflitos por colocar em prática as recomendações do Santo Padre (tanto os do passado, como Pio XII, como o atual) e da Igreja, não o possam fazer. Entretanto, há bases sólidas para que cada um possa fazer a sua parte, segundo sua vocação. Embora o panorama político, social, econômico e mesmo religioso já não seja mais aquele observado por Pio XII, suas recomendações para a ação católica(38) continuam oferecendo um bom programa para a resolução dos problemas’.

O primeiro e mais elevado conselho do Papa é a oração, que é capaz de alimentar a fé e promover o auxílio divino. “Orai, pois, veneráveis irmãos, orai sem cessar, orai sobretudo quando oferecerdes o sacrifício divino do amor. Orai também vós, cuja profissão corajosa da fé vem impor-vos hoje duros, penosos e, não raro, heróicos sacrifícios; orai vós membros padecentes da Igreja, que Jesus há de consolar-vos e aliviará os vossos sofrimentos. E não vos esqueçais de, com verdadeiro espírito de mortificação, tornar as vossas penitências e orações mais aceitas aos olhos daquele que ‘ampara os que caem e endireita todos os curvados’ a fim de que a sua misericórdia abrevie os dias de provação e se realizem assim as palavras do Salmo: ‘Invocaram o Senhor nas suas tribulações e ele livrou-os das suas angústias’”(39) . Nesse sentido, recomendou o finado Pontífice que as crianças especialmente se colocassem em oração, porque com a candura de suas preces comoverão o Redentor, pois “o Coração de Jesus (...) não poderá resistir à inocência que suplica”(40) .

Baseados na oração, os cristãos devem estabelecer o Reino de Deus neles mesmos, porque o apostolado só é fecundo e produz os frutos desejados se a boca fala do que realmente se sente e se vive. É necessário que sejam permeados pela vida divina, vivendo segundo a lei de Deus e os ensinamentos de Nosso Senhor, para que possam deixar transparecer para a sociedade a beleza da vida que é direcionada pelos santos princípios da Igreja. Devem empenhar-se na prática das virtudes e das obras de misericórdia, que são a lei de Deus posta em prática.

Nesse espírito orante, devem ir a todos quantos precisam da palavra divina, conforme exortou Pio XII: “Ide aos humildes, aos pobres, aos que sofrem, aos abandonados do mundo; ide como seus salvadores, restauradores e animadores. Ide à juventude, ávida de futuro, como mestres e companheiros. Ide aos adultos, que embora educados no agnosticismo dos nossos dias sentem, no seu íntimo, o grito angustioso da alma imortal que neles desperta a agitada e irresistível nostalgia de se aproximarem de Jesus Cristo. Ide para o meio do mundo e fazei-vos jovens com os jovens, crianças com as crianças, para os juntardes todos à volta do Cristo”(41) .

Nesse apostolado firme, baseado na caridade e na comunhão, devem os cristãos levarem todos os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja, tanto aquelas bases sempre atuais - como as que oferece Pio XII - quanto as novas diretrizes para as situações atuais, perante as diversas mudanças pelas quais passa a sociedade.

E essa missão não deve ser encarada como acessória ou dispensável na vida cristã, mas como primordial para que se concretize o pedido de Cristo que é também o nosso: “Adveniat Regnum tuum” - venha o Vosso Reino, que é não somente o objeto da oração mas a linha diretriz de toda a atividade e apostolado cristão, combatendo com a Verdade, a Caridade e a Obediência.

Deve ser uma missão de cristãos “penetrados por um entusiasmo de cruzados,” reunidos “em espírito de verdade, de justiça e de amor, ao grito de ‘Deus o quer’, prontos a servir, a sacrificar-se, como as antigos cruzados. Se então se tratava da libertação da terra santificada pela vida do Verbo de Deus encarnado, hoje trata-se, assim podemos falar, de uma nova travessia, superando o mar dos erros do dia e do tempo, para libertar a terra santa espiritual, destinada a ser a base e o fundamento das normas e leis imutáveis para as construções sociais de interna e sólida consistência”(42) .

Conclusão

O Papa, depois de ostentar a todo o mundo a doutrina da Igreja, que é a única capaz de estabelecer bases realmente fortes para o desenvolvimento social, conclamou todos os crentes a se colocarem com solícita operosidade em favor da construção de um mundo novo, onde reine a Caridade fraterna e a Justiça divina - e, portanto, a paz.

Tal é também o preceito da hora presente. O mundo necessita de cristãos verdadeiros, que se coloquem verdadeiramente a favor da vida em abundância prometida pelo Divino Redentor. O mundo reconhece a credibilidade da Igreja, tanto que pessoas movidas por intenções torpes e ridículas se colocam como ‘católicos’ para poderem defender absurdos com presumida propriedade. É a hora da reação, a hora de demonstrar profundo amor a Deus e ao Próximo na perfeita obediência à Igreja.

E nesse caminho, a palavra do imortal Pontífice da Igreja Universal permanece como rocha inabalável, tão atual quanto o próprio primado petrino, que promove com sempre novo frescor a mensagem de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. E continua tão atual que o principal mal a arrastar a sociedade à ruína apontado por Pio XII - a falta de temor a Deus e, portanto, de moralidade nas relações sociais - é hoje novamente denunciado pelo Papa Bento XII, gloriosamente reinante:

“O desenvolvimento humano integral é primariamente vocação e, por conseguinte, exige uma livre e solidária assunção de responsabilidade por parte de todos. Além disso, tal desenvolvimento requer uma visão transcendente da pessoa, tem necessidade de Deus: sem Ele, o desenvolvimento é negado ou acaba confiado unicamente às mãos do homem, que cai na presunção da auto-salvação e acaba por fomentar um desenvolvimento desumanizado. Aliás, só o encontro com Deus permite deixar de ‘ver no outro sempre e apenas o outro’, para reconhecer nele a imagem divina, chegando assim a descobrir verdadeiramente o outro e a maturar um amor que ‘se torna cuidado do outro e pelo outro’”(43) .

Que a sociedade saiba ouvir a voz da Igreja, do magistério pontifício que, à luz da Revelação Divina, oferece soluções realmente acertadas para os dias atuais, que não são utopias políticas, mas propostas realmente aplicáveis, no dizer abalizado do Papa Pio XII. E que os cristãos possam ser solícitos em atender aos pedidos de sua Mãe e Mestra, a fim de construírem o verdadeiro desenvolvimento humano, que se ordena ao fim mais alto do homem, que é a salvação eterna.


1.Sua Santidade, Servo de Deus Papa Pio XII - Radiomensagem Nell‘Alba e Nella Luce, no Natal de 194l, nº 3.
2.Sua Santidade, Servo de Deus Papa Pio XII - Radiomensagem Con Sempre Nuova Freschezza, no Natal de 1942, nº 56.
3.Félix, Pe. Dr. José Maria. Pastor Angelicus, biografia de Pio XII. Oficinas gráficas Minerva, Portugal, 1949. Pag 538.
4.Sua Santidade, Servo de Deus Papa Pio XII - Carta encíclica Summi Pontificatus, 22.
5.Idem, 23.
6.Idem, 21.
7.Nell‘Alba, 6.
8.Idem, 8.
9.Idem, 9.
10.Idem.
11.Idem, 10.
12.Idem, 12.
13.Con Sempre, 9.
14.Nell‘Alba, 12.
15.Para um início de compreensão sobre esse tema, recomendamos o nosso artigo “A Humanidade, nascida do Coração de Deus”, disponível em http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=466
16.Con Sempre, 10.
17.Idem, 13.
18.Idem, 15.
19.Idem, 16.
20.Idem, 18.
21.Idem, 19.
22.Idem, 20.
23.Nell‘Alba, 12.
24.Santo Agostinho, Sermo 141, c.4 in: Nell’Alba, 13.
25.Nell‘Alba, 20.
26.Idem, 21.
27.Idem.
28.Idem, 23.
29.Idem, 25.
30.Idem, 26.
31.Con Sempre, 34.
32.Idem, 37.
33.Idem, 38.
34.Idem.
35.Idem, 44.
36.Idem, 45.
37.Sua Santidade, Servo de Deus Papa Pio XII - Carta encíclica Summi Pontificatus, 44.
38.Embora muitas das alocuções do Pontífice tenham sido direcionadas para o apostolado da Ação Católica, nos referimos à ação dos católicos, independente de pertencerem ou não à esse autorizado movimento da Santa Igreja.
39.Summi Pontificatus, 78.
40.Idem, 79.
41. Félix, Pe. Dr. José Maria. Pastor Angelicus, biografia de Pio XII. Oficinas gráficas Minerva, Portugal, 1949. Pag 357, citando o discurso do Papa Pio XII em 4 de setembro de 1940.
42.Con Sempre, 29
43.Sua Santidade, Papa Bento XVI - carta encíclica Caritas in Veritate, 11.

Encontrados Filmes que Provam o Auxílio de Pio XII aos Judeus.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009 |

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 28 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- A enorme atividade de ajuda que Pio XII desenvolveu durante a Segunda Guerra Mundial a favor de todas as vítimas, independentemente de sua religião, pode agora ser vista em filmes cinematográficos que foram redescobertos.

O achado mais surpreendente é a película “Guerra à guerra”, um filme realizado em 1948 por uma produtora italiana, “Orbis”, dirigido por Romolo Marcellini, que também dirigiu “Pastor Angelicus”, de 1942, e Giorgio Simonelli.

O filme foi descoberto na Cineteca Nacional Italiana, em um estado bastante deteriorado, e ao se constatar o caráter extraordinário das imagens, entrou-se em contato com a Filmoteca Vaticana.

A doutora Claudia Di Giovanni, delegada desta Filmoteca, confessou a emoção experimentada quando recebeu o convite da Cineteca para poder ver estas imagens das quais se desconhecia sua existência.

Seu testemunho foi exposto na assembleia plenária do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, que o Papa encerrará nesta quinta-feira.

No documentário, que em algumas passagens apresenta também uma história cinematográfica, podem-se ver “imagens extraordinárias da Segunda Guerra Mundial, particularmente duras, mas sumamente eficazes para sublinhar o drama do conflito”, explica Di Giovanni.

“Com o fundo da guerra, as palavras e obra de Pio XII, em ajuda de todas as vítimas, com as imagens dos refeitórios, criados pelo Papa, e a residência de Castel Gandolfo, aberta aos refugiados”.

O espectador pode ver como o Papa converteu as grandes salas do palácio apostólico em dormitórios para mulheres e crianças refugiados.

Em outro momento, se vêem as imagens da Praça de São Pedro e da Basílica de São João de Latrão, onde por indicação do Papa se criaram refeitórios para dar de comer à população que atravessava a penúria da guerra.

“O filme é particularmente importante pois representa a tentativa do catolicismo de comunicar através da arte cinematográfica seu ‘não’ à guerra. O filme praticamente não pôde ser distribuído no período pós-bélico, mas é um testemunho fundamental do compromisso do Papa Pio XII a favor da paz”, explica a delegada da Filmoteca Vaticana.

“A restauração do filme foi apresentada no festival de cinema de Veneza, em setembro passado, impressionando tanto a crítica como o público, com um estilo narrativo inspirado no neorrealismo, simples mas eficaz, que não oculta o horror, mas o representa em toda sua realidade mais que explícita, sobretudo se consideramos que se trata de um filme de 1948”, afirma a delegada.

A Filmoteca Vaticana colaborou com a Cineteca Nacional Italiana à restauração do filme, e agora conta com uma cópia para poder projetá-la em circunstâncias não comerciais.

Outros documentos audiovisuais

Mas não é o único testemunho audiovisual que narra a ajuda de Pio XII aos necessitados, entre os quais havia também judeus.

A Filmoteca Vaticana recebeu recentemente 70 filmes que documentam a atividade da Pontifícia Obra de Assistência (POA), criada pelo Papa Pio XII para ajudar as vítimas da Segunda Guerra Mundial, informa Claudia di Giovanni.

Foi instituída em 1944 com o nome de Pontifícia Comissão de Assistência aos Refugiados (PCA), logo se chamou POA, e ofereceu seu serviço até 1970, assistindo os pobres, os enfermos, encarcerados e vítimas dos desastres naturais.

Agora corresponde à Filmoteca Vaticana analisar com detalhe estes filmes e conservá-los para que possam ser um patrimônio da história.



A Liturgia Ambrosiana da Semana Santa.

terça-feira, 27 de outubro de 2009 |

Autor: Mark Nabos - Itália.
Tradução e Adaptação: Carlos Eduardo Maculan
Todos os direitos reservados

As celebrações litúrgicas da Semana Santa não são simplesmente uma crônica do que aconteceu na primeira Semana Santa há dois mil anos. Nem são a lembrança nostálgica e psicológica de fatos irremediavelmente congelados no passado, sem terem qualquer influência sobre o nosso presente.

Através da celebração litúrgica, na verdade, os eventos comemorados (a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor) estão presentes no hoje e sua eficácia está sendo economizada para todos nós. E assim os crentes são chamados todos os anos para experimentar a Redenção, a participação nos Sacramentos que têm como a fonte de sua origem a Páscoa de Cristo.
Caráter tão único e absoluto da Semana Santa é o Cristo Senhor. Mas quem celebra a comemoração litúrgica, para aproveitar as fontes da salvação, é a Sua Igreja. Podemos nos perguntar, deste ponto de vista, qual é a natureza da relação entre estas duas entidades (Cristo e da Igreja) na perspectiva específica da liturgia que se celebra nos dias da Semana Santa?
Podemos dar a este respeito muitas respostas. Mas talvez haja uma resposta em especial que pode ser considerada a mais rica e abrangente em termos de espiritualidade litúrgica: o relacionamento conjugal entre Cristo e Igreja. Na verdade, para usar uma frase de São Paulo (Efésios 5, 25 -2 7 ) que passa por toda a tradição cristã: Cristo é o Esposo da Igreja e a Igreja é, portanto, a Noiva. E este é um traço peculiar da Semana Santa Ambrosiana, ou melhor, é a perspectiva singular, segundo a qual a Igreja vive na liturgia Ambrosiana os eventos da Páscoa de Cristo.
Na verdade, um cronista poderia ter conteúdo para rastrear e reconstruir a cronologia dos acontecimentos que se passaram com Jesus de Nazaré nos últimos dias de Sua vida terrena. E, com toda a probabilidade, ser capaz de fazer um bom trabalho, quanto mais seria capaz de oferecer uma reconstrução, imparcial, objetiva e fria do que aconteceu.
Mas, a liturgia não é notícia. Quem de fato, através da celebração litúrgica, traça as etapas históricas da época crucial de Cristo é precisamente a Igreja, que é a Noiva que vive com entusiasmo, envolvimento e tensão os últimos dias da vida terrena de Seu marido, Jesus Cristo. Precisamente esta perspectiva que permite interpretar corretamente algumas das características da liturgia Ambrosiana do Tríduo Pascal. E enquanto essa perspectiva ensina os fiéis a viver as celebrações da Santa Semana, não como espectadores de uma peça de mistério, mas como membros vivos da Igreja, como atores de um drama que os envolve diretamente, mesmo do ponto de vista emocional.
Então - só para fazer um rápido resumo das principais celebrações do Tríduo Pascal - Na Missa da Quinta-Feira Santa à noite, a Noiva é chamada a partilhar da Noite Eucarística, da Agonia, da Traição de Judas e das Negações de Pedro, cuidadando para não se envolver "na escuridão do discípulo infiel".
Na sexta-feira Santa a Esposa acompanha seu Senhor ao Calvário, Ela contempla a morte salvadora e entra em uma espécie de luto, "o estado de viuvez", tomando a experiência lancinante da perda de Seu Marido. A ausência de Comunhão neste dia faz sentido para os fiéis de alguma maneira como "a perda do Deus vivo", ou "o limite do horror e do desespero".
Mas a Igreja não é uma viúva desesperada, é Esposa fiel e confiante, e, na verdade, sustentada pela esperança e pela Palavra de Deus, e na Vigília Pascal reecontra Cristo, o Senhor ressuscitado, e faz a experiência da potência salvífica a através dos sacramentos do Batismo e da Eucaristia . Com justiça - como disse um autor antigo dos primeiros séculos do cristianismo - a noite de Páscoa é a noite "ninfagoga", a noite após o dia de paixão e dor, que faz reunir na alegria da Páscoa a Noiva e o Noivo.

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Nota do Atanasiano: O autor não define o que é "ninfagoga", no entanto, por se tratar de um termo absolutamente desconhecido da maioria dos católicos brasileiros, mas no entanto, muito utilizada pelos católicos italianos, afirmamos que de trata da "noite dos neófitos", ou seja, a noite para aqueles que são inseridos nos mistérios de Cristo. A noite "Mãe dos Católicos", a noite livre das trevas, a noite quando Satanás é despojado. Por dever de justiça, o Atanasiano afirma que não buscou esta definição em nenhuma enciclopédia, mas somente confiando em nossa parca memória, que é, absolutamente sujeita a erros.

Tu es Sacerdos in Aeternum.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009 |

O Atanasiano oferece as primeiras fotos da Missa que Sua. Excia. Revma. Dom Tissier de Mallerais celebrou na Basílica de São Pio X em Lourdes, na presença de mais de 10.ooo sacerdotes, religiosos e fiéis. Todos os direitos reservados a La Porte Latine.

Dom Tissier ouve o Evangelho Cantado no Trono da Basílica de São Pio X. Vários membros do Episcopado italiano estavam presentes na Sacristia.



Agradecimentos ao Rorate Caeli.


Este Mosteiro Beneditino foi convidado pelo próprio Papa Bento XVI para aplicar a Summorum Pontificum. Os Monges, acatando o chamamento do Papa, anunciaram, portanto, um apostolado litúrgico voltado para o Uso Tridentino.









Estes monges são os responsáveis pela guarda da Basílica de São Bento. A Missa Conventual no Rito Tridentino é oferecida todos os dias aos fiéis (inclusive no Domingo), bem como as Vésperas e as Completas, que são abertas ao peregrinos de todo o mundo, afinal, só uma língua universal como o latim poderia ser ritualizada para que os peregrinos possam participar, ao seu próprio modo, da Santa Missa.

A Missa Nova é oferecida somente aos Domingos e em algumas festas.

Avante Missa Tridentina!


26 de Outubro de 2009.

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Hoje se inicia na Igreja as conversações entre a Fraternidade São Pio X e a Santa Sé. Que Santa Maria das Vitórias olhe para os fiéis dispersos e desorientados, para que o direito pleno de gozarmos da tradição católica não seja apenas normativo, mas impresso no coração do episcopado que se afastou da disciplina Santa e Católica.

+ Ut Ecclesiam tuam sanctam regere et conservare digneris, R. Te rogamus, audi nos!


26 de Outrubro: A Primeira Sessão dos Debates entre Roma e FSSPX

domingo, 25 de outubro de 2009 |

Tradução: O Atanasiano

O IL Giornale publicou um artigo dedicado ao início das conversações entre os lefebvrianos e a Santa Sé. Será um longo caminho: a questão central é a intepretação do Concílio.

[...]

Se debaterá sobre a liberdade religiosa, o ecumenismo, o diálogo com as religiões não cristãs. Se falará, sobretudo, do que se deve entender sobre a palavra "Tradição". A Fraternidade São Pio X está valorizando do teólogo
Brunero Gherardini (veja aqui) entitulado "Concílio Ecumênico Vaticano II - Um Discurso a se Fazer" (*tradução do título não oficial pelo Atanasiano) [...]. O livro que se abre com o prefácio de Dom Albert Malcom Ranjith, que foi secretário do Culto Divino, e que se conclui com uma súplica ao Papa e com um chamado para uma releitura atenta e científica dos documentos conciliares.



FSSPX: Prelazia ou Ordinariato Pessoal?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009 |

Surge a hipótese de se oferecer à FSSPX a figura recém-criada do Ordinarito Pessoal, ou ainda, a já conhecida estrutura de Prelazia. Vou dar minha mera opinião: Ordinariato Pessoal, porque assim ela funcionaria como um Diocese sem território, estando apenas submetida ao Ordinário Pessoal, que nesse caso penso que seria Dom Fellay, e é claro, ao Papa. Enquanto Prelazia iria depender do consentimento do Bispo de uma Diocese para que ela funcionasse, o que sabemos, não é nada vantajoso para a Fraternidade, muito menos para a Tradição.

A FSSPX como prelazia, ao modo do Opus Dei, iria encontrar resistência, uma vez que a Fraternidade é a fonte nascedoura - inconteste - de toda a luta em prol do Rito Tridentino.

Penso que é razoável para a FSSPX aceitar um Ordinariato, porque assim a luta se daria dentro do edifício santo, o que também penso que seria mais eficaz para a causa tradicional. Se for edificada como Prelazia (aparentemente é a preferência de Dom Fellay), certamente a Fraternidade deve receber garantias de Roma para sua autonomia funcional.

Os debates começam na próxima segunda, dia 26 de outubro. Nunca foi tão importante rezar. Portanto, rezemos!



O Rito de Sarum

quinta-feira, 22 de outubro de 2009 |


por Carlos Eduardo Maculan


Uma vez que a questão anglicana ganhou forças nos últimos eventos acontecidos na Cidade Eterna e na Inglaterra, vamos publicar uma série de postagens sobre tema conexos.
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O Rito de Sarum ou Uso de Sarum (como é mais comumente conhecido), é uma variante do rito latino que vigorava no sul da Inglaterra antes da Reforma Anglicana de Henrique VIII. Sarum é uma referência à diocese de Salisbury (Sarum em latim), donde ela era mais usado antes de se difundir pelos sulistas ingleses.

É um rito que foi sufocado pela reforma anglicana, porque o protestantismo desejava acabar com qualquer resquício do catolicismo na Grã-Bretanha, e para que os protestantes anglicanos possuíssem uma "identidade própria de ritual", suprimiram o rito de sarum, não porém sem dele valer para criar o rito anglicano. Com o advento do Concílio de Trento e da Reforma Litúrgica do Papa São Pio V, o gloriosíssimo Rito Tridentino acabou por cobrir o vácuo deixado pela arbitrária imposição protestante quanto aos ritos católicos na Inglaterra, na Escócia e na Irlanda. Foi a Rainha Elizabeth I que baniu os ritos católicos, implantando definitivamente o anglicanismo.


O rito romano chegou na Grã-Bretanha em 597, pelas mãos de Santo Agostinho da Cantuária (Beneditino, Bispo e Confessor). Enviado como legado do Papa Gregório Magno, o próprio Papa lhe ordenou que introduzisse o rito romano, mas no entanto, que respeitasse os usos litúrgicos que já existiam.


O Atanasiano está preparando para os próximos dias um especial com a formação histórica e as particularidades do Rito de Sarum, que será publicado no próximo dia 27 de outubro. Por enquanto, publicamos algumas fotos.





Declaração Conjunta do Arcebispo de Westminster e do Arcebispo da Cantuária.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009 |

Tradução e adaptação: O Atanasiano


Ontem, após o anúncio da vindoura Constituição Apostólica para os anglicanos que querem retornar para o seio da Igreja Católica, o arcebispo de Westminster e o Arcebispo anglicano de Cantuária emitiram um comunicado em conjunto, disponível no site oficial da Comunhão Anglicana, no qual afirmam ser esta "uma resposta do Papa Bento XVI para uma série de pedidos ao longo dos últimos anos para a Santa Sé, de grupos de anglicanos que desejam entrar em comunhão plena e visível com a Igreja Católica Romana, e estão dispostos a declarar que eles partilham da mesma fé católica e aceitar o ministério petrino como desejado por Cristo para sua Igreja".

Ressaltaram no comunicado que a constituição "põe fim a um período de incerteza para esses grupos que têm alimentado a esperança de novos caminhos para abraçar a unidade com a Igreja Católica" e que "a presente Constituição Apostólica é uma conseqüência do diálogo ecumênico entre a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana".

Por fim, os arcebispos anglicanos ressaltam que os esforços para a união continuarão, e que aguardam ansiosos por futuras reuniões com os bispos católicos com o foco nesta, agora, missão comum.

A declaração na íntegra:
ACO

Errata: O Arcebispo de Westminster, Dom Vincent Nichols, é bispo católico apostólico romano, e publicou esta declaração em conjunto com o Arcebispo anglicano da Cantuária, Dom Rowan Williams. O artigo original, por um erro de escrita, constou como se ambos fossem bispos anglicanos.

A Rainha Elizabeth II e o Papa Bento XVI. Possível Conversão?

terça-feira, 20 de outubro de 2009 |

Autoria, tradução e especulação: Carlos Eduardo Maculan

*Comentários liberados para esta postagem.

Tudo ainda é mera especulação, e tenho acompanhado a questão Anglicana faz 2 anos, em razão do descontamento que os anglicanos estão promovendo quanto os rumos tomados quanto à "ordenação" de mulheres, homossexuais e outros fetichismos.

Fato inconsteste: o Santo Padre Bento XVI editará Constituição Apostólica para os Anglicanos que querem retornar para o seio da Igreja Católica, e sabe-se que em 2010 o Romano Pontífice irá em visita apostólica à Inglaterra. Tudo isso se dá em momento crucial, onde a Chefe da igreja anglicana, a Rainha da Inglaterra, tem se manifestado descontente com os rumos de sua igreja.

No jornal "The Sunday Telegraph" Elizabeth II diz compreender os motivos pelos quais os anglicanos estão descontentes e buscando o catolicismo, enquanto o "The Catholic Herald" afirma que a afeição da Rainha pelo catolicismo e pelo Papa Bento aumentam a cada dia.

Especula-se na mídia internacional que o Santo Padre irá se hospedar na residência da Família Real em Buckingham, como convidado especial da Rainha. Depois das peripécias e soberbas, quando não, sanguinolências, de Henrique VIII - que entrou em cisma com a Igreja -, esta talvez seja um bom momento para sanar esta ferida na face do cristianismo.

Estas notícias começaram a circular na Inglaterra duas semanas antes da Congregação da Doutrina da Fé comunicar a edição da Constituição Apostólica que receberá os anglicanos tradicionais na comunhão com a Igreja de Roma. Além do mais, o mesmo "The Sunday Telegraph" afirma que não é só a insatisfação da Rainha que cresce, mas também já é público que o Princípe de Gales está chocado com "a evolução do anglicanismo".

A matéria em inglês está aqui.

Mas os rumores não terminam. O Duque de Edimburgo demonstrou afinidade com o catolicismo, isso porque ele visitou o Santuário Mariano de Walsingham, sendo esta a primeira vez que um membro da Família Real Inglesa visita um templo católico em mais de 400 anos. Por que o Duque fez isso? Simplesmente porque antes do Cisma Anglicano, era comum que reis como Henrique III e o próprio Henrique VIII praticarem esta devoção. O Santuário está no território da Duquesa de Kent, que em 1994, insatisfeita com a religião da Rainha, se converteu ao catolicismo. Veja aqui.

O anglicanismo conta com 80 milhões de fiéis no mundo, e por mais que as especulações alimentem o conforto espiritual de muitos que rezam pelo fim dos cismas, advertimos que, constitucionalmente a Inglaterra é um Estado Confessional e para que a Rainha ou a Família Real se tornassem católicos, seria necessário mudar uma tradição constitucional de mais de 700 anos. Especulação ou não, rezemos sempre!



Congregação para a Doutrina da Fé anuncia nova Constituição Apostólica com disposições sobre o ingresso de Anglicanos na Igreja Católica. Abaixo, a íntegra da declaração:

Tradução: Fratres in Unum

Com a preparação de uma Constituição Apostólica, a Igreja Católica responde a muitos pedidos que foram submetidos à Santa Sé de grupos de clérigos e fiéis Anglicanos em diferentes partes do mundo que desejam entrar em plena comunhão visível.

Nesta Constituição Apostólica, o Santo Padre introduziu uma estrutura canônica que provê tal reunião corporativa ao estabelecer Ordinariatos Pessoais, que permitirão aos antigos Anglicanos entrar em plena comunhão com a Igreja Católica enquanto preservam elementos do distintivo patrimônio espiritual e litúrgico Anglicano. Conforme os termos da Constituição Apostólica, a vigilância e o governo pastoral para tais grupos de fiéis já Anglicanos serão asseguradas através de um Ordinariato Pessoal, cujo Ordinário será habitualmente indicado entre o antigo clero Anglicano.

A vindoura Constituição Apostólica concede uma razoável e mesmo necessária resposta a um fenômeno mundial, ao oferecer um único modelo canônico para a Igreja universal que é adaptável a várias situações locais e justo aos antigos Anglicanos em sua aplicação universal. Ela provê a ordenação como padres Católicos do clero casado anteriormente Anglicano. Razões históricas e ecumênicas impedem a ordenação de homens casados como bispos tanto na Igreja Católica como Ortodoxa. A Constituição estipula, então, que o Ordinário seja um padre ou um bispo não casado. Os seminaristas no Ordinariato deverão ser preparados ao lado de outros seminaristas Católicos, embora o Ordinariato possa estabelecer uma casa de formação para responder às necessidades particulares de formação no patrimônio Anglicano. Desta maneira, a Constituição Apostólica procura, por um lado, equilibrar a preocupação de preservar o digno patrimônio litúrgico e espiritual Anglicano, e, por outro, a preocupação de que estes grupos e seu clero sejam integrados à Igreja Católica.

O Cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que preparou esta disposição, disse: “Tentamos ir ao encontro dos pedidos por uma plena comunhão que nos últimos anos nos chegaram de Anglicanos de diferentes partes do mundo de maneira uniforme e equitativa. Com esta proposta a Igreja quer responder às legítimas aspirações destes grupos Anglicanos por unidade plena e visível com o Bispo de Roma, sucessor de São Pedro”.

Estes Ordinariatos Pessoais serão formados, segundo as necessidades, mediante prévia consulta às Conferências Episcopais, e sua estrutura serão similares de certo modo àquela dos Ordinariatos Militares que foram estabelecidos na maioria dos países para prover cuidado pastoral aos membros das forças armadas e seus dependentes pelo mundo. “Aqueles Anglicanos que se aproximaram da Santa Sé deixaram claro seu desejo por plena e visível unidade na una, santa, católica e apostólica Igreja. Ao mesmo tempo, eles nos expressaram a importância de suas tradições de espiritualidade e culto Anglicanos para sua jornada de fé”, disse o Cardeal Levada.

A provisão desta nova estrutura é consistente com o empenho no diálogo ecumênimo, que continua sendo a prioridade para a Igreja Católica, particularmente através dos esforços do Conselho Pontíficio para a Promoção da Unidade dos Cristãos. “A iniciativa surgiu de um número de diferentes grupos de Anglicanos”, continou o Cardeal Levada: “Eles declararam que partilham a fé Católica comum como é expressa no Catecismo da Igreja Católica e aceitam o ministério Petrino como algo desejado por Cristo à Igreja. Para eles, chegou o tempo de expressar esta unidade implícita na forma visível da plena comunhão”.

Segundo Levada, “É a esperança do Santo Padre, o Papa Bento XVI, que o clero e os fiéis Anglicanos que desejam se unir à Igreja Católica encontrem nesta estrutura canônica a oportunidade de preservar aquelas tradições Anglicanas preciosas a eles e consistentes com a fé Católica. Enquanto estas tradições expressam de maneira diferente a fé comum que é professada, elas são um dom a ser partilhado na Igreja universal. A unidade da Igreja não requer uma uniformidade que ignora diversidades culturais, como a história da Cristianismo mostra. Ademais, as diversas tradições presentes na Igreja Católica atualmente são todas enraizadas no princípio articulado por São Paulo em sua carta aos Efésios: ‘Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo’ (4:5). Nossa comunhão é, portanto, fortalecida por tais diversidades legítimas, e portanto estamos felizes que estes homens e mulheres tragam consigo suas contribuições particulares para a nossa vida comum de fé”.

Informações contextuais.

Desde o século XVI, quando o Rei Henrique VIII declarou a Igreja da Inglaterra independente da autoridade Papal, a Igreja da Inglaterra criou suas próprias confissões doutrinais, livros litúrgicos e práticas pastorais, frequentemente incorporando idéias da Reforma no continente Europeu. A expansão do Império Britânico, junto do trabalho missionário Anglicano, finalmente deu surgimento à Comunhão Anglicana em nível mundial.

No curso de mais de 450 anos de sua história, a questão da reunificação dos Anglicanos e Católicos nunca foram esquecidas. Na metade do século XIX, o movimento de Oxford (na Inglaterra) mostrou um renovado interesse nos aspectos Católicos do Anglicanismo. No início do século XX, o Cardeal Mercier, da Bélgica, entrou em conversações públicas com Anglicanos para explorar a possibilidade de união com a Igreja Católica sob a bandeira de um Anglicanismo “reunido, mas não absorvido”.

Posteriormente, no Concílio Vaticano Segundo a esperança por união foi nutrida quando o Decreto sobre Ecumenismo (n.13), referindo-se às comunhões separadas da Igreja Católica na época da Reforma, afirmou que: “Entre aquelas nas quais as tradições e instituições Católicas continuam em parte a existir, a Comunhão Anglicana ocupa lugar especial”.

Desde o Concílio, as relações entre Anglicanos e Católicos criaram um maior clima de mútuo entendimento e cooperação. A Anglican-Roman Catholic International Commission (ARCIC) produziu uma série de declarações doutrinais no curso dos anos na esperança de criar as bases para a unidade plena e visível. Para muitos em ambas comunhões, as declarações da ARCIC foram um veículo no qual uma expressão de fé comum pôde ser reconhecida. É neste contexto que esta nova disposição deve ser vista.

Nos anos depois do Concílio, alguns Anglicanos abandonaram sua tradições de conferir as Sagradas Ordens apenas a homens ao convocar mulheres ao sacerdócio e ao episcopado. Mais recentemente, alguns seguimentos da Comunhão Anglicana se afastaram do ensinamento bíblico comum sobre a sexualidade humana — já claramente afirmado no documento da ARCIC “Life in Christ” — pela ordenação de clérigos abertamente homossexuais e pela benção de uniões homossexuais. Ao mesmo tempo, enquanto a Comunhão Anglicana encara estes novos e difíceis desafios, a Igreja Católica permanece plenamente empenhada em continuar o compromisso ecumênico com a Comunhão Anglicana, particularmente através dos esforços do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos.

Neste ínterim, muitos Anglicanos individualmente entraram em plena comunhão com a Igreja Católica. Às vezes, houve grupos de Anglicanos que entraram enquanto preservaram alguma estrutura “corporativa”. São exemplos deste ingresso a diocese Anglicana de Amritsar, Índia, e algumas paróquias individuais nos Estados Unidos, que mantiveram uma identidade Anglicana ao ingressar na Igreja Católica por uma “provisão pastoral” adotada pela Congregação para a Doutrina da Fé e aprovada pelo Papa João Paulo II em 1982. Nestes casos, a Igreja Católica frequentemente dispensou das exigências de celibato para permitir àqueles clérigos Anglicanos casados que desejassem continuar seus serviços ministeriais como padres Católicos serem ordenados na Igreja Católica.

À luz destes desenvolvimentos, os Ordinariatos Pessoais estabelecidos pela Constituição Apostólica podem ser vistos como outro passo em direção à realização das aspirações por plena e visível união na Igreja de Cristo, um dos principais objetivos do movimento ecumênico.



Depois de 40 Anos Missa Tridentina na Basílica de São Pedro

segunda-feira, 19 de outubro de 2009 |

Se as pedras e os ladrilhos da Basílica de São Pedro pudessem falar, diriam: - La Santa Messa sentito per secoli, con il coro degli angeli e dei santi alle pareti, è tornato. Dom Raymond Burke celebrou a Missa Gregoriana dentro da Basílica Vaticana.

Depois de 40 anos de silêncio do Rito Antigo na Basílica de Pedro, onde a Cátedra, o Baldaquino, o Transepto, as Estátuas Colossais, os Vitrais, os Doutores não ouviam mais a mais perfeita forma ritual, com o Côro Angélico à rodear a Terra da Cidade Eterna, finalmente a alta dignidade do Concílio de Trento volta ao seu lugar por excelência: A Igreja de Pedro.

(Casula com as Armas Pontifícias)

(À esquerda o padre brasileiro Almir de Andrade, assistente da FSSP)


A Santa Missa representou o ápice da Conferência sobre o motu proprio Summorum Pontificum intitulada “O Motu Proprio Summorum Pontificum de Bento XVI: Um Grande Dom para Toda a Igreja“. O evento, que transcorreu de 16 a 18 de outubro, foi organizado pelo Pe. Vincenzo Nuara OP, fundador e líder espiritual do grupo Giovani e Tradizione (Jovens e Tradição), uma associação de jovens com sede em Acireale, na Sicília. (Leia mais no Fratres in Unum)



O Phelonion

quinta-feira, 15 de outubro de 2009 |

Tradução: Carlos Eduardo Maculan
Fonte: Enciclopédia Britânica
& Enciclopédia do Cristianismo Oriental

O Phelonion (em latim Paenula) é um paramento litúrgico usado pelos sacerdotes da tradição cristã oriental. Posto sobre as outras vestes sacerdotais, equivale a casula do rito romano.





Assim como a casula, o Phelonion é uma vestimenta que cai sobre os pés de todos os lados e na sua forma atual - que vem do século XV - a frente passou a ter um corte que vai da cintura para baixo para que o sacerdote atenda o serviço litúrgico.

O uso no Phenolion não se limita a Divina Liturgia, mas é usado para qualquer função principal na liturgia oriental. Existem dois estilos de Phenolion, um no estilo grego-bizantino que cai sobre os ombros e o estilo russo, que possui um colarinho alto que cai sobre a parte de trás da cabeça. No entanto, existe ainda uma terceira espécie de Phenolion, mais curto, derivado, que é usado pelo tonsurante na cerimônia litúrgica.

Seu nome varia nas tradições critãs orientais: Phanolion para o Copta, Paynã para o Assírio, Phayno para o Siríaco Ortodoxo, Surdzar para o Armênio e Kappa para o Etíope.

Os Bispos quando não celebram solenemente, podem usar o Phelonion, no entanto, quando usam o Divina Liturgia Hierárquica, devem usar o Sakkos, que é a vestimenta exclusiva do Episcopado. Na Liturgia de São Tiago também é comum o uso do Phenolion por parte do Bispo.


Ícone de São Gregório usado o Polystavrion, que é um tipo de Phenolion da Igreja Santa, num afresco do século XIV.