por Padre Alfredo Maria Morselli
Pároco de San Giorgio di Piano
Diocese de Bolonha - Itália
Tradução: O Atanasiano
Verdadeiramente dramático é este momento na vida da Igreja. A Eucaristia não vem somente sendo atacada e profanada por sacerdotes indignos, cristãos que não se comunicam com a graça de Deus, satanistas, hereges que adulteram a doutrina - e isto de forma variada, porém que não é uma novidade de hoje -; mas, defronte à grande ação do Vigário de Cristo, com o intuito de promover um novo movimento litúrgico, se eleva uma multidão que novamente grita: Christum regnare nolumu - não querem que a Sagrada Liturgia seja celebrada com decoro que merece e segundo a verdade e a santidade deste grande Sacramento!A tentativa de envenenamento do Motu Proprio é o mais recente ataque disparado pelos inimigos da Igreja, a última flecha - arma do traidor bíblico - que se lançou contra o Bispo vestido de branco (para usar a linguagem do terceiro segredo de Fátima).
Para tanto, ocorre-me uma "boa palavra", que o Papa pronunciou no curso de uma audiência dedicada a São Tarcísio em 04 de agosto de 2010:
"Um dia, quando o sacerdote perguntou, como sempre fazia, quem estava disposto a levar a Eucaristia aos outros irmãos e irmãs que a estavam esperando, levantou-se o jovem Tarcísio e disse: "Envia-me". Aquele menino parecia demasiado jovem para um serviço assim tão exigente! "A minha juventude - disse Tarcísio - será o melhor refúgio para a Eucaristia". O sacerdote, convencido, lhe confiou aquele Pão precioso dizendo-lhe: "Tarcísio, lembra-te que um tesouro celeste é confiado aos teus débeis cuidados. Evite ruas movimentadas e não se esqueça de que as coisas santas não devem ser jogadas aos cães, nem as pérolas aos porcos. Protegerá com fidelidade e segurança os Sagrados Mistérios?". "Morrerei - disse Tarcisio decidido – antes de cedê-los". Ao longo do caminho, encontrou alguns amigos pela rua, que se aproximaram e pediram que se unisse a eles. À sua resposta negativa, esses – que eram pagãos – suspeitaram e se tornaram importunos, e perceberam que ele portava alguma coisa no peito e que parecia defender. Tentaram arrancá-la, mas foi em vão; a luta tornou-se mais e mais furiosa, especialmente quando souberam que Tarcísio era cristão; o chutaram, atiraram pedras, mas ele não cedeu. Moribundo, foi levado ao padre por um oficial pretoriano chamado Quadrato, que também havia se tornado, secretamente, cristão. Chegou sem vida, mas ainda segurava firme junto ao peito um pequeno linho com a Eucaristia".
Também nós, neste momento, devemos saber que a luta é feroz. Não devemos ceder! Mas como não ceder, quando se parece que não temos forças e estamos desanimados como o Santo Profeta Elias fugindo de Jezabel? Uma mensagem celestial - que assumiu recentemente uma importância ainda maior - mostra-nos o Sagrado Coração de Jesus, a fonte da qual podemos tirar o conforto.
É uma revelação ao Padre Bernardo de Hoyos SJ, beatificado em 18 de abril de 2010, misteriosamente quase 300 anos após sua morte.
Padre Bernardo Hoyos nasceu em Torrelobaton, distante quatro léguas da cidade de Valladolid, em 21 agosto de 1711, dia de São Francesco de Sales. Entrou para a Companhia de Jesus em 11 de julho de 1726, com quinze anos de idade. Em 03 de maio de 1733, ou seja, com 22 anos, recebeu as primeiras revelações sobre a devoção ao Coração de Jesus, quando estava em adoração numa manhã, o Senhor na Hóstia Consagrada - escreve ele - lhe disse clara e distintamente "que queria prolongar a adoração do Seu Coração Sagrado", ordenando que dissesse isso para todos quanto pudesse.
Foi ordenado 22 de janeiro de 1735, aos 24 anos, e morreu em 29 de novembro o Colégio de Santo Inácio de Valladolid. A revelação abaixo o Beato Bernardo Hoyos recebeu em junho de 1734:
Ele viu Jesus, na noite da Última Ceia antes da Festa do SS. Sacramento. Em Seu Coração se viu uma luta violenta; em um dos lados, o amor pelos homens, e do outro a natural tristeza por todos os grandiosos ultrajes cometidos contra a Eucaristia. "E para resolver esta luta - escreve ele - entre a dor e o amor, desejando ajudar Jesus, Padre Bernadro levantou os olhos ao céu - et elevatis oculis in coelum – que foi seguido por um suspiro suave, ou um sopro de fogo, um esforço divino no qual o amor é vitorioso e viu que "Naquele momento, Jesus lavou, com novas gotas de Sangue os ultrajes contra Ele, reparando Ele mesmo os estragos ao Santíssimo Sacramento; e com o Coração aberto manifestou para a Igreja esse tesouro soberano. E assim, como a instituição da Eucaristia, em vista da Sua Paixão, foi um imponderável amor infinito de Jesus que brilha neste mistério divino e mostra a grandeza deste benefício, na determinação para permitir que todos possam encontrar Seu coração. Ele encontrará os meios para reparar os estragos contra o Sacramento. [ndt: Cristo desagravou a Si próprio dos pecados contra a Missa. Tanto desmazelo e ninguém O consolou, precisou Ele mesmo e sozinho fazer a reparação]
A tentatvida de diluição do Motu Proprio, juntamente com o clero-episcopal em oposição à Sua Majestade e contra o Motu Proprio Summorum Pontificum, é a grande injustiça que o Augusto Sacramento está recebendo hoje.
Jesus abriu o Seu coração para a reparação da lesão, e decidiu o modo, durante a Última Ceia, quando Ele levantou os olhos ao céu - et elevatis oculis in coelum. Façamos então por expiar, unidos ao Coração de Cristo na Missa, quando o sacerdote eleva os olhos ao Céu e digamos: "Uno-me, oh Pai, ao Vosso Filho, em reparação por todos os ultrajes que Ele recebe na Eucaristia. Ajude, Pai, que o Vigário de Cristo mantenha a luta, que não deixe que se abram as portas para as maquinações dos inimigos".
E refugiarmos também, com Aquela que - em Seu Imaculado Coração - foi a primeira que fez esta grande reparação.
[ATUALIZAÇÃO] O Parecer de Tornielli via Fratres in Unum
Através de Rorate Caeli tomamos conhecimento deste comentário do vaticanista Andrea Tornielli, cuja tradução apresentamos abaixo:
"Não corresponde à verdade que a instrução sobre o motu proprio seja restritiva e um enfraquecimento da vontade papal expressa no Motu Proprio.
É verdade que a instrução não faz menção ao rito ambrosiano: Ecclesia Dei tem competência sobre o Rito Romano e, logo, se explicará que Summorum Pontificum (doravante SP) se aplica a todos os ritos das ordens religiosas, que são variações do rito romano. No que diz respeito ao rito Ambrosiano, a competência não é da Ecclesia Dei, mas da Congregação do Culto Divino.
Portanto, é verdade que a instrução não menciona o rito Ambrosiano, mas não é verdade que SP não se aplica a todos os ritos das ordens religiosas (por exemplo, o dominicano), como se temia nas antecipações de alguns blogs.
O outro ponto considerado “restritivo” se refere às ordenações sacerdotais. SP, que menciona também todos os outros sacramentos, não cita, pelo contrário, a possibilidade de celebrar as ordenações sacerdotais no rito antigo. Desde a sua publicação até hoje tem acontecido que, em algumas dioceses, houve ordenações segundo o rito antigo: os bispos pediram a permissão de Roma, em todo caso foi concedido.
Agora, a instrução esclarece este ponto e explica as condições em que é possível celebrar as ordenações sacerdotais no rito antigo. Não se pode falar, logicamente, de uma intenção restritiva, já que SP de modo algum é mencionava esse caso.
Do que sei estar errado nas antecipações, é o sentido geral da instrução, apresentada como um enfraquecimento que restringe as possibilidades para os fiéis e relega o antigo rito apenas ao âmbito do mundo dito tradicionalista, ao invés de apresentá-lo como uma oportunidade para todos no sentido desejado pelo Papa (ou seja, que o antigo ajudaria o novo e o novo ajudaria o antigo).
Minhas fontes me dizem que não é verdade. E, na realidade, com a instrução, serão fixadas as bases que permitirão aos fiéis melhor obter aquilo que o Papa estabeleceu.
Devo também desmentir — tanto quanto pude saber — a notícia de uma intervenção direta de Mons. Charles Scicluna sobre o texto para piorá-lo e enfraquecê-lo: Scicluna é promotor de justiça da Congregação para a Doutrina da Fé, participa do direito à consulta e “Ecclesia Dei” está agora inserida no ex-Santo Ofício. Portanto, também ele tomou parte no debate, fez algumas propostas, algumas foram acolhidas, outras não".
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