Santo Padre

Como viver sem Vós? Pois só Vós sois capaz de conhecer os foros mais íntimos de minha alma que são desconhecidos e incompreendidos pelos que me circundam. Só Vós conheceis a minha fé que não deve ser levada a nada menos que ao sangue derramado se necessário for, a renunciar as mais belas criaturas por amor a Vós, divino Amor. Não posso, Cristo, aceitar as condições da falaciosa doutrina liberal, as quais não consigo me conformar sem antes renunciar a mim mesmo, e, portanto, Vos renunciar em nome da consciência individual e dos princípios criados por vãs filosofias, tortuosas concepções e pela separação da natureza do Criador, ou ainda, de uma humanidade que já não mais Vos conhece e a qual, pela graça, não aprendi me conformar; num mundo onde o homem moderno não mais se dobra, e onde eu, pobre, não estou preparado para ser homem segundo o direito sem Deus. Creio porque creio, e sempre hei de crer, porque só Vós sabeis que é Vossa Face que eu procuro. (O Atanasiano)

Pater, si non potest hic calix transire nisi bibam illum, fiat voluntas Tua. (St. Mat. XXVI, 42)




Deus, por que o Senhor nos faz sofrer?

terça-feira, 22 de março de 2011 |

Antes que nos julguem, não nos opomos a qualquer tecnologia que vise salvar vidas, porque tudo isso é bom, e nem admiramos o sofrimento do povo japonês. Apenas dizemos que: - toda nossa proteção está no Nome do Senhor, que fez o céu e a terra.


Omnípotens sempitérne Deus…

“Ó Deus eterno e onipotente, que olhais a terra e a fazeis estremecer, perdoai aos que Vos temem e sede indulgente com os que Vos imploram, a fim de que, depois de vermos com terror a vossa ira abalar os fundamentos da terra, sintamos a vossa misericórdia reparar os estragos produzidos. Per Dóminum Nostrum Jesum Christum…” (Colecta da Missa votiva em ocasião de terremoto – Missal Romano ed. típica de 1962).

Quem é o homem diante de Deus? A quem pertence o próximo minuto de suas vidas? O que pode ajuntar a humanidade em torno de si que acrescentará um só côvado nos seus dias? Para que “deus” se irá invocar a proteção ou quanta riqueza se poderá acumular que comprará sua saúde, sua vida, sendo que o teu próximo minuto de vida não te pertence? O amanhã não se sabe se haverá para nós. O mais rico dos homens não pode dizer: - nesta manhã tenho certeza que viverei durante a tarde.

As três perguntas clássicas da filosofia: quem sou? De onde vim? Para onde irei? A pergunta clássica da alma que sofre: por que Deus permite o sofrimento, sendo Ele Bom? Para nossa conversão, para que saibamos que somos total e absolutamente dependentes d’Ele e que nada que façamos, nada que pensemos, nada que construirmos, poderá impor barreiras à lei natural e divina. A tragédia no Japão vem de encontro ao ocidente e ao oriente; o primeiro materialista, arrogante, mergulhado no capital, na concorrência desumana, na busca da prosperidade; no culto ao corpo, no hedonismo; o segundo ateu, pagão e apóstata e obstinado em imitar o ocidente e sua busca pelo capital: um oriente que se ocidentaliza.

Deus permite a dor para tornar carne um coração de pedra, para retirar as traves dos olhos: - Eu Sou o Senhor, nada existiria sem Mim e se alguém está vivo é porque permito este seu minuto de vida. Voltemos no tempo, ao tempo de Jó e de suas dores; ele esmagado por Deus questiona seu sofrimento, e especialmente nos capítulos 38, 39 e 40 vemos a resposta do Senhor que fez o céu, a terra e que permite que respiremos enquanto lemos e escrevemos, trabalhos e descansamos, sem sabermos se este será nosso último suspiro na terra: - Onde estavas, Jó, quando lancei os fundamentos da terra? Fala, se estás informado disso. O discurso divino se prolonga por várias linhas e Jó se resigna e aceita suas dores.

Onde estavas, Japão, quando lancei os fundamentos da terra? Quando criei as placas tectônicas com minha providência para governar pela lei natural o movimento da terra? Quando as fiz para separar os continentes uns dos outros e formar meus povos e nações? Quem tu eras quando pus limites ao mar para que ordinariamente no nordeste de teu país ele ficasse contido pela terra? Quem fechou as portas do mar para que ele não invadisse o solo que habitais? Algum dia indicaste à aurora o seu lugar dizendo que haveria uma amanhã para muitos de teus cidadãos? Tu foste, Japão até ás fontes do mar como Eu fui e criei, conheces as profundezas do abismo da terra onde ergui os alicerces? Quem és tu Japão, quem sois vós japoneses e povos do mundo para saber quando irão aparecer, porventura e por Meu designo, as portas da morte? Falem-me se sabem de tudo isso!

Eu fixei o tempo da gravidez das mulheres, da leoa, da corsa. Não é a leoa que alimenta seus filhotes, Sou Eu que caço a presa para que seus filhotes se alimentem, porque quando eles gritam de fome, não gritam para a leoa que os gerou, mas para Mim que permito que ela faça sua caçada quando os leõezinhos andam de um lado para o outro sem comida. Sou Eu que alimento os pássaros, que coloquei a neve no alto das montanhas e fiz dela a morada das cabras maltesas. Quem eras tu Jó, Japão e humanidade inteira quando Eu determinei quem viverá ou morrerá, quando a terra irá tremer, que permite quem comerá ou terá fome.

Jó se resigna, toma sobre si suas dores. Assim faça a humanidade inteira: nada somos sem Deus, porque Ele pode fazer ruir por um só ato de vontade todas as colunas da sociedade que hoje renunciou o domínio social de Vosso Filho Cristo Rei e daquelas que obstinadamente recusam recebê-Lo. Por fim, Deus diz ao sofredor Jó: abaixa teu orgulho e não reduza minha justiça. Sim, a justiça divina é para conter nosso orgulho, porque nem toda engenharia, nem todo dinheiro, nenhuma prosperidade será capaz de abrandar o peso do braço de Deus. Fazer tudo o possível para salvar vidas é bom, amar a Deus é supremo.

Por que o Senhor permite a dor? Para que digam que Eu Sou o Senhor Vosso Deus, que determinei que houvesse mais uma dia de vida na sua história e que a qualquer momento o chamarei para prestar contas dos talentos que entreguei para todos os homens e mulheres.