Santo Padre

Como viver sem Vós? Pois só Vós sois capaz de conhecer os foros mais íntimos de minha alma que são desconhecidos e incompreendidos pelos que me circundam. Só Vós conheceis a minha fé que não deve ser levada a nada menos que ao sangue derramado se necessário for, a renunciar as mais belas criaturas por amor a Vós, divino Amor. Não posso, Cristo, aceitar as condições da falaciosa doutrina liberal, as quais não consigo me conformar sem antes renunciar a mim mesmo, e, portanto, Vos renunciar em nome da consciência individual e dos princípios criados por vãs filosofias, tortuosas concepções e pela separação da natureza do Criador, ou ainda, de uma humanidade que já não mais Vos conhece e a qual, pela graça, não aprendi me conformar; num mundo onde o homem moderno não mais se dobra, e onde eu, pobre, não estou preparado para ser homem segundo o direito sem Deus. Creio porque creio, e sempre hei de crer, porque só Vós sabeis que é Vossa Face que eu procuro. (O Atanasiano)

Pater, si non potest hic calix transire nisi bibam illum, fiat voluntas Tua. (St. Mat. XXVI, 42)




Segue abaixo uma dura constatação do Núncio Apostólico na Argentina, Dom Adriano Bernardini, na missa de abertura da Assembléia das Obras Missionárias Pontifícias (Buenos Aires, 22 de fevereiro de 2011). No final alguns comentários e os destaques são nossos. Fonte: Catapulta.com.ar via tradução de Fratres in Unum.

“Hoje em dia assistimos a um ensinamento muito especial contra a Igreja Católica em geral e ao Santo Padre em particular. Por que tudo isso? Qual é o motivo principal? Podemos enunciá-lo em poucas palavras: É a Verdade que nos é proporcionada pela Mensagem de Cristo!

Quando esta Verdade não se opõe às forças do mal, tudo vai bem. Ao contrário, quando esta apresenta a mínima oposição, surge uma luta que se transforma em calúnia, ódio e até mesmo perseguição contra a Igreja e mais especificamente contra a pessoa do Santo Padre.

… Na realidade, se quisermos ser sinceros, devemos reconhecer que ano após ano vem aumentado, entre teólogos e religiosos, irmãs e bispos, o grupo daqueles que estão convencidos de que a vinculação à Igreja não comporta o conhecimento e a adesão a uma doutrina objetiva.

Afirmou-se um catolicismo “ à la carte”, no qual cada um escolhe a porção que prefere e rejeita o prato que considera indigesto. Na prática, trata-se de um catolicismo dominado pela confusão de papéis, com sacerdotes que não se dedicam com empenho à celebração da Missa e às confissões dos penitentes, preferindo fazer outra coisa. E com os leigos e mulheres que buscam roubar um pouco, por sua vez, o lugar do sacerdote a fim de ganhar quinze minutos de celebridade paroquial, seja lendo a oração dos fiéis ou distribuindo a comunhão.

…Eis aqui, portanto, a Verdade como causa principal desta aversão e diria quase perseguição ao Santo Padre. Uma aversão que tem como conseqüência prática sentir-se sozinho, um pouco abandonado.

Abandonado por quem? Eis aqui uma grande contradição! Abandonado pelos opositores da Verdade, porém, sobretudo, de certos sacerdotes e religiosos, não somente de bispos, mas não dos fiéis.

Assim, o clero está atravessando uma certa crise, no episcopado prevalece um baixo perfil, não obstante os fiéis de Cristo estejam também com todo o seu entusiasmo. Obstinadamente continuam rezando e vão a Missa, freqüentam os sacramentos e a rezam o rosário. E, sobretudo, esperam no Papa.
(Texto completo em Aica)

A ninguém escapa a importância do grave diagnóstico feito pelo Núncio, embora eu preferisse que em vez de “abandono” tivesse empregado “apostasia”, o termo teológico correspondente. Porém, já é bastante o que se disse para esses tempos em que bispos e padres débeis – e acrescentamos também católicos profissionais e de sacristia – preferem se fazer de desentendidos, praticando a política do “avestruzismo”.

Porém, nós fiéis estamos cansados de palavras, por melhores que sejam. Agora deveriam vir de Roma as ações, os gestos de autoridade, a limpeza, a restauração da disciplina e, sobretudo, a pregação íntegra da Verdade.

Rezemos, portanto, para que o Papa tenha forças para reconstruir a Igreja, guardando santamente e expondo fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos, quer dizer, “o depósito da fé”. (Concilio Vaticano I, Constituição dogmática Pastor aeternus).

Nossa Senhora da Salete, ora pro nobis.

* * *

[Comentário do Atanasiano]: Certeiras palavras do senhor Núncio, mas infelizmente, o drama vai além das palavras. A Igreja tem a mais bela cultura do mundo sob seu poder, uma cultura de arte, literatura, filosofia, teologia incomparáveis. O sacerdócio católico sustentou o ocidente por 2 mil anos e de repente, por razões já exaustivamente debatidas, há a renúncia deste elemento vital da fé em nome de uma participação dos leigos que só colabora com a mitigação da noção do mesmo sacerdócio. Ou se olha para Cristo e se usa da força disciplinar da Igreja, ou infelizmente, ficaremos somente em meros discursos.

Todavia, quero levantar algumas questões: como o senhor Núncio disse, "prevalece no episcopado um baixo perfil" [sic]. Ora, muito correto, e há de fato uma baixeza no perfil do episcopado, mas como mudar isso se não pelas nomeações? Perfis baixos são nomeados bispos, então, que se nomeie altos perfis, de caráter, de consciência do serviço que prestarão.

"Os leigos que querem seus quinze minutos de fama" são um mal absolutamente desnecessário. O mestre na liturgia é o sacerdote, mas estes leigos, em nome da "participação frutuosa", não plantam senão frutos já podres e impõe uma mediocridade litúrgica extenuante. A liturgia é por demais bela para ficar nas mãos de quem não a conhece.