Em tempos de pouquíssima sinceridade pastoral, onde tudo é feito para agradar somente os de fora e romper a unidade da Igreja, trazemos à baila duas cartas escritas por Dom Manoel Pestana Filho sobre a CNBB. A sentença do Bispo é certeira: chegamos ao limite do tolerável, e isso na década de 1980. O destinatários são certos: Dom Lucas Moreira Neves, um Bispo conservador, e Dom Luciano Mendes, onde a CNBB sob seu governo desceu a níveis inimagináveis de comunismo. Aos leitores a decisão sobre os frutos bons ou maus da Conferência Episcopal Brasileira. Entendemos que a pior faceta daquelas que perderam o senso do sagrado se dá na liturgia, entender a mecânica de todo o boicote à Tradição, venha de onde vier, será salutar para devolver o trono da ordem social para Cristo Rei. Os destaques são nossos.
Carta a Dom Lucas Moreira Neves
Presidente da CNBB
20 de janeiro de 1988
Creio que já ultrapassamos os limites do tolerável. Nem mais seríamos canes non valentes latrare [Cães incapazes de latir Is 56,10], responsáveis diante de Deus e da Igreja pelas inimagináveis consequências do nosso silêncio no meio do sofrido povo de Deus, se, estupidificados pelo engodo da 'unidade', continuássemos engolindo a infidelidade e apostasia que escorrem do alto. Não é apenas a fumaça de Satanás que entrou na Igreja, por alguma fenda oculta, como lamentava o Santo Padre Paulo VI: é, transpondo triunfalmente os portões, o diabo inteiro, presente nos mais altos postos, através de seus fiéis seguidores.
Um Cardeal, que depois de comunicar que nem tomaria conhecimento da passagem da imagem de Fátima pela sua Arquidiocese, pronuncia-se, na televisão, a favor da abolição do celibato eclesiástico – ou melhor, declara-o contra o direito – e defende o homossexualismo; a CNBB que assume oficialmente, para espanto dos Constituintes que ainda respeitam a Igreja, a posição do sinistro Frei Betto pela despenalização do aborto, como em vão propugnou Dom Cândido Padim em Itaici, na Comissão da Constituição e em plenário; a imposição prática de um texto da Campanha da Fraternidade, complementado pelo que a AEC, avançando ainda mais, preparou para os pobres colégios católicos, em que não sobra nem fraternidade nem fé; os cursos de lavagem cerebral para Bispos que, apenas transferidos de Itaici para o Embu, são agora apresentados como 'cursos para bispos novos' – e V. Exa. sabe muito bem quais são os seus organizadores e professores – TUDO ISSO claramente indica que o caminho que estamos seguindo não leva a Jerusalém nem muito menos a Roma: vai direto a Sodoma e Gomorra, que já não estão muito longe.
Revendo, para um curso de férias, as peripécias do Arianismo, Nestorianismo e Monofisitismo, pus-me a refletir no acerto de Franklin: 'Não me importa o que hoje pensam de mim, mas o que dirão de mim daqui a cem anos' - E assusta-me a responsabilidade perante o presente e principalmente o futuro, que vamos alegre e levianamente assumindo.Carta a Dom Luciano Mendes
19 de fevereiro de 1988
Agradecendo-lhe o envio de parabéns e a garantia de orações pelo aniversário de minha consagração episcopal, peço-lhe a caridade de ouvir-me ainda uma vez.
A situação eclesial brasileira se deteriora a olhos vistos, dia a dia. Lembra-me o espantoso processo de autodemolição de que falava Paulo VI. Um incrível masoquismo estéril e suicida, com graves danos para o Reino de Deus. O senhor tem uma posição privilegiada nesse contexto. Pelo amor de Deus, pare um pouco. A velocidade embriaga. E há gente demais ligada ao seu desempenho.
Não se pode mais aceitar como conselheiros e mestres nas Assembleias da CNBB, muito menos como representantes da CNBB na Constituinte, tipos como Plínio da Arruda Sampaio, que vota pelo aborto e pelo divórcio; ou Hélio Bicudo que, conhecido por posições opostas aos princípios cristãos, ameaça de público levar o Papa ao Tribunal de Haia; ou outros confessadamente trotskistas (já os tivemos em Itaici), marxistas, etc, como, em livro, acaba de confirmar antigo assessor da Conferência.
Seria bem mais vantajoso desligar-me, acomodado, se a paralisia não fosse consciente e dolorosa. Veja nisto, desajeitada que pareça, a contribuição que posso oferecer para que a situação, que nos querem fazer irreversível, seja superada energicamente, enquanto é tempo.
Sei que muitos não creem em Fátima. Problema deles. Entretanto, o que vem acontecendo, ademais da atitude do Magistério eclesiástico autêntico, me leva a confiar, apreensivo, na Senhora da Mensagem, como chamou João Paulo II. E muita coisa diz respeito ao que agora se está vendo.
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No início de 1988, o monge Dom Marcos Barbosa, do Mosteiro de São Bento (Rio de Janeiro) irradiava em seu programa Encontro Marcado (Rádio Jornal do Brasil) uma pequena palestra intitulada “Um novo Atanásio”. Eram tempos difíceis aqueles. A "teologia da libertação" marxista tinha o apoio de vários bispos. Leonardo Boff era defendido contra o Papa João Paulo II, que lhe impusera silêncio por causa da obstinação em seus erros teológicos.Dom Marcos Barbosa, ao afirmar que a CNBB não era mais confiável "por estar criando uma Igreja paralela (sic)", fazia uma ressalva de vários bispos fiéis, entre os quais Dom Eugênio Sales (Rio de Janeiro), Dom Luciano Cabral Duarte (Aracaju), Dom José Freire Falcão (Brasília), Dom José Veloso (Petrópolis), Dom Boaventura Kloppenburg (Novo Hamburgo) e Dom Lucas Moreira Neves (Salvador). O herói da crônica, porém, era o Bispo de Anápolis, Dom Manoel Pestana Filho, em quem o monge beneditino descobrira "a ortodoxia e a fibra de um novo Atanásio".
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Fonte: Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz via Fratres in Unum
"Quanto pior melhor?" Esta é a pergunta que sempre fazem aqueles que se assustam quando a verdade sobre a crise na Igreja é anunciada com sobriedade e firmeza; esta é a frase que falam quem teme aceitar que para além da fumaça está o pai de toda mentira, inteiro, completo, livre. Não, não se trata de falar "quanto pior melhor", mas de "quanto mais verdade, melhor", isso para que os filhos das trevas sejam desmascarados diante dos filhos da luz, afinal, os primeiros são mais astutos.













